Alternativa B - A alternância de variante linguística é uma habilidade dos usuários da língua e é acionada pelos jovens de acordo com suas necessidades discursivas.
Introdução
A questão aborda a relação entre a linguagem digital ("internetês") e a norma culta da língua portuguesa. O texto base refuta a ideia alarmista de que o uso de abreviações na internet destrói a capacidade dos jovens de escreverem corretamente. Pelo contrário, o autor sugere que existe uma distinção consciente de usos.
Desenvolvimento
Para entender a resposta correta, precisamos analisar os argumentos centrais do texto:
- Competência Linguística: O texto afirma que os jovens "saber separar bem a hora em que podemos escrever de qualquer tipo, da hora em que não podemos escrever de 'qualquer jeito'". Isso indica que eles possuem a habilidade de mudar o registro de fala/escrita dependendo da situação.
- Contexto de Uso: O professor Eduardo Navarro explica que a preferência pelo "internetês" ou pela norma culta depende do contato que o adolescente tem com textos formais (jornais, livros). Quem tem menos contato com literatura tende a usar mais gírias; quem tem contato, mantém o vocabulário culto.
- Rejeição ao Alarmismo: O texto critica a preocupação excessiva de educadores, sugerindo que o "internetês" é apenas uma variação natural e não uma ameaça à língua.
Análise
Vamos examinar as alternativas com base na leitura crítica:
- (A) Incorreta. O texto não trata o vocabulário culto como algo ausente ("carência"), mas sim como algo que depende do contato prévio com textos formais. Não há menção a um "alerta" gerado pelo uso da internet, mas sim uma defesa da liberdade linguística.
- (B) Correta. A frase "saber separar bem a hora em que podemos escrever de qualquer tipo" descreve exatamente a alternância de variantes linguísticas. O texto mostra que o uso do internetês ou da norma culta é acionado pelas necessidades discursivas (onde e com quem se está falando/escrevendo).
- (C) Incorreta. O texto não discute a língua como "herança cultural" nesse sentido conservador. Ele foca na funcionalidade prática da comunicação online versus formal.
- (D) Incorreta. O texto diz que a facilidade em usar o internetês é proporcional à falta de contato com textos formais, mas não afirma que isso "restringe a capacidade de compreensão". Pelo contrário, sugere que a competência existe.
- (E) Incorreta. O texto não atribui a dificuldade de produção de textos complexos à internet de forma direta. Ele vincula isso à falta de contato com leituras formais (livros/jornais), não necessariamente ao uso da internet em si.
Conclusão
A alternativa B resume corretamente a tese do autor: os usuários da internet não perdem a capacidade de falar/correr, eles apenas adaptam sua linguagem às circunstâncias (discursos), demonstrando fluência e domínio da língua.