Enfermagem Múltipla Escolha

Um lactente de 35 dias, do sexo masculino, primogênito, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de vômitos pós-prandiais iniciados há cerca de duas semanas e com piora progressiva, tornando-se em jato e de conteúdo leitoso, sem bile. A mãe relata que, logo após vomitar, a criança chora e parece faminta, querendo mamar novamente. Nega febre. Ao exame, o lactente apresenta-se hipotônico, com sinais de desidratação, abdome escavado e massa firme, móvel, de cerca de 2 cm, palpável em epigástrio. Foi colhida gasometria venosa, que evidenciou pH 7,52, HCO₃ 32 mEq/L, Cl 88 mEq/L e K 3,1 mEq/L. Considerando a principal hipótese diagnóstica e a fisiopatologia do distúrbio encontrado, qual a conduta correta é?

Um lactente de 35 dias, do sexo masculino, primogênito, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de vômitos pós-prandiais iniciados há cerca de duas semanas e com piora progressiva, tornando-se em jato e de conteúdo leitoso, sem bile. A mãe relata que, logo após vomitar, a criança chora e parece faminta, querendo mamar novamente. Nega febre. Ao exame, o lactente apresenta-se hipotônico, com sinais de desidratação, abdome escavado e massa firme, móvel, de cerca de 2 cm, palpável em epigástrio. Foi colhida gasometria venosa, que evidenciou pH 7,52, HCO₃ 32 mEq/L, Cl 88 mEq/L e K 3,1 mEq/L. Considerando a principal hipótese diagnóstica e a fisiopatologia do distúrbio encontrado, qual a conduta correta é?

  1. orientar medidas antirrefluxo e espessamento das mamadas, com reavaliação ambulatorial programada, por se tratar de doença do refluxo gastroesofágico do lactente.
  2. prescrever antiemético, manter aleitamento materno e oferecer reidratação oral na própria unidade, com acompanhamento clínico para observar a evolução dos vômitos.
  3. encaminhar a criança a serviço de referência em cirurgia pediátrica, iniciando reposição hidroeletrolítica intravenosa, por se tratar de urgência médica que exige correção do distúrbio antes do tratamento cirúrgico.
  4. encaminhar a criança para piloromiotomia de urgência, a ser realizada antes da correção do distúrbio hidroeletrolítico, dada a gravidade da obstrução à saída gástrica.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C

O caso clínico descrito é clássico para o diagnóstico de Estenose Pílorica Hipertrofica Congênita.

A análise dos dados clínicos e laboratoriais aponta diretamente para esta patologia e define a conduta segura a ser tomada:

  • Quadro Clínico: O lactente de cerca de 1 mês (35 dias) apresenta vômitos não biliosos (leitosos, sem bile), em jato e progressivos. A criança mantém o apetite ("fome voraz") logo após o vômito.
  • Exame Físico: A presença de uma massa firme e móvel no epigástrio (conhecida como "massa olivácea" ou sinal da oliva) é altamente sugestiva e quase patognomônica para estenose pílorica.
  • Gasometria: Os valores indicam Alcalose Metabólica Hipoclorêmica com Hipocalemia:
  • pH 7,52 > 7,45 (Alcalose)
  • HCO₃⁻ 32 mEq/L (Elevado, indicando alcalose metabólica)
  • Cl⁻ 88 mEq/L (Baixo, indicando perda de cloreto pelo vômito)
  • K⁺ 3,1 mEq/L (Baixo, indicando hipocalemia)

Análise das Alternativas

  • Hipótese Diagnóstica: A obstrução mecânica do piloro impede a saída do conteúdo gástrico, causando desidratação severa e desequilíbrio eletrolítico grave.
  • Prioridade Terapêutica: A cirurgia (piloromiectomia de Fischer) é curativa, mas não pode ser realizada imediatamente enquanto o paciente estiver instável hemodinamicamente e com distúrbio ácido-base não corrigido.
  • Risco Anestésico: A correção pré-operatória da alcalose e da hipocalemia é mandatória para evitar complicações graves durante a anestesia e na recuperação pós-operatória.
  • Por que a alternativa C está correta? Ela propõe o encaminhamento para referência especializada (cirurgia pediátrica) e prioriza a reposição intravenosa e correção metabólica antes do ato cirúrgico. Esta é a conduta padrão ouro internacional.
  • Por que a alternativa D está incorreta? Realizar a cirurgia antes da correção do distúrbio hidroeletrólito aumenta drasticamente o risco de mortalidade e morbidade perioperatória.
  • Por que as alternativas A e B estão incorretas? Elas tratam o quadro como doença do refluxo gastroesofágico simples ou gastroenterite. No entanto, a presença da massa palpável e o desequilíbrio eletrolítico severo exigem intervenção cirúrgica, não apenas medidas conservadoras.

Em resumo, a estabilidade clínica (correção de água e sais) vem primeiro; a estabilização cirúrgica vem depois.

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