Alternativa A - A água subterrânea de operações de mineração de solução é circulada em um leito de resina para extrair e concentrar o urânio.
Análise Didática
A questão aborda o ciclo do combustível nuclear, focando nas etapas de exploração e extração do urânio. A alternativa correta descreve com precisão uma técnica moderna de mineração conhecida como Mineração por Lixiviação In Situ (ISL).
Por que a Alternativa A está correta?
No processo de Mineração por Lixiviação In Situ (também chamada de mineração por solução):
- Injeção: Uma solução aquosa (com ácidos ou bases, dependendo do tipo de rocha) é injetada no aquífero onde o urânio está presente.
- Dissolução: Essa solução dissolve o urânio mineralizado, formando uma solução rica em metais.
- Bombeamento: A solução contendo o urânio dissolvido é bombeada para a superfície.
- Recuperação: Ao chegar à superfície, essa água passa por colunas de resina trocadora de íons. As resinas capturam os íons de urânio, permitindo sua separação e concentração.
Este método é preferido em certas condições geológicas pois evita a remoção de grandes quantidades de terra (mineração a céu aberto) e reduz o volume de rejeitos sólidos gerados.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- Alternativa B (Conversão para UF6): O concentrado de urânio (geralmente U_3O_8, conhecido como yellowcake) não vira gás UF_6 apenas por mistura com soluções aquosas. O processo de conversão envolve reações químicas complexas de fluorinação (uso de flúor gasoso, F_2) para transformar o óxido em tetrafluoreto (UF_4) e depois em hexafluoreto (UF_6).
- Alternativa C (Resíduos): Embora a mineração gere rejeitos, a terminologia "rejeitos da fábrica" é imprecisa neste contexto. Os resíduos da mineração (solo estéril ou lama de moagem) são chamados genericamente de rejeitos de mineração. O termo "fábrica" geralmente remete ao processamento químico posterior (conversão/enriquecimento), e não à extração bruta.
- Alternativa D (Enriquecimento): O enriquecimento não utiliza "materiais pesados encontrados na natureza". Ele utiliza centrífugas (rotores girando em altíssima velocidade) ou processos de difusão gasosa para separar os isótopos ^{235}U e ^{238}U.
- Alternativa E (Etapas do Enriqecimento): O enriquecimento nunca é feito em uma única etapa. Trata-se de um processo em cascata, onde centenas ou milhares de estágios (centrífugas) são conectados sequencialmente para aumentar gradualmente a concentração do isótopo ^{235}U. Além disso, para fins comerciais em usinas nucleares, o enriquecimento é limitado a cerca de 3% a 5% (não 10%).
Conclusão
A técnica descrita na Alternativa A corresponde exatamente ao mecanismo de recuperação de urânio dissolvido utilizando resinas trocadoras de íons, característico da mineração por lixiviação in situ.