Medicina Múltipla Escolha

Criança de 7 anos de idade é trazida à Unidade Básica de Saúde (UBS) pela avó por crises recorrentes de "chiado no peito" há seis meses, com piora nas últimas três semanas. Teve dois atendimentos em pronto atendimento no último mês, com melhora após nebulizações. A família é migrante recente e tem dificuldade com o português. Moram em casa com umidade e mofo. A mãe trabalha em dois empregos e tem dificuldade de vir à UBS. A avó relata que a mãe tem receio de usar "bombinha" por medo de "viciar" e tem utilizado uma garrafada, orientada por uma benzedeira da comunidade. A escola informou faltas frequentes e mencionou possibilidade de acionar o Conselho Tutelar se não houver melhora da frequência. No exame, a criança está eupneica, SpO₂ de 97% em ar ambiente, com sibilos expiratórios discretos. Considerando a competência cultural aplicada ao caso e a coordenação do cuidado na APS, qual é a melhor conduta inicial?

Criança de 7 anos de idade é trazida à Unidade Básica de Saúde (UBS) pela avó por crises recorrentes de "chiado no peito" há seis meses, com piora nas últimas três semanas. Teve dois atendimentos em pronto atendimento no último mês, com melhora após nebulizações. A família é migrante recente e tem dificuldade com o português. Moram em casa com umidade e mofo. A mãe trabalha em dois empregos e tem dificuldade de vir à UBS. A avó relata que a mãe tem receio de usar "bombinha" por medo de "viciar" e tem utilizado uma garrafada, orientada por uma benzedeira da comunidade. A escola informou faltas frequentes e mencionou possibilidade de acionar o Conselho Tutelar se não houver melhora da frequência. No exame, a criança está eupneica, SpO₂ de 97% em ar ambiente, com sibilos expiratórios discretos.

Considerando a competência cultural aplicada ao caso e a coordenação do cuidado na APS, qual é a melhor conduta inicial?

  1. Organizar retorno em curto prazo com a mãe, registrar plano terapêutico para asma: contatar a escola após confirmar adesão ao tratamento e resposta clínica.
  2. Garantir mediação linguistica adequada na próxima consulta, explorar modelo explicativo da familla sobre o tratamento, pactuar inicio de terapia inalatória com verificação de técnica e articular resposta conjunta com a escola.
  3. Priorizar a investigação de fatores ambientais domiciliares e orientar medidas de controle de gatilhos: iniciar tratamento inalatório se houver recorrência de crise, mantendo acompanhamento.
  4. Emitir relatório para a escola, descrevendo o diagnóstico de asma e recomendando redução de atividades fisicas, evitando nesse momento discutir sobre a garrafada para melhorar adesão terapêutica.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Análise da Questão

Esta questão aborda competência cultural e coordenação do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), aplicada ao manejo de uma criança com provável asma em contexto migrante.

Elementos Chave do Caso

AspectoSituaçãoImplicação Clínica
Idade7 anosNecessita manejo pediátrico adequado
SintomasChiado recorrente (6 meses), piora recenteSuspeita de asma não controlada
BarreirasIdioma, crenças culturais, condições habitacionaisRequer abordagem culturalmente competente
Risco2 atendimentos ED em 1 mês, faltas escolaresNecessidade de intervenção imediata

## Análise das Alternativas

Alternativa A:

  • ❌ Não aborda barreira linguística
  • ❌ Não explora crenças familiares sobre tratamento
  • ❌ Contato escolar após confirmação é muito tardio

Alternativa B: ✅ CORRETA

  • ✅ Garante mediação linguística (tradutor/intérprete)
  • ✅ Explora o modelo explicativo familiar sobre doença e tratamento
  • ✅ Pactua início de terapia inalatória (respeitando autonomia)
  • ✅ Verifica técnica de uso (crucial para eficácia)
  • ✅ Articula resposta conjunta com escola (coordenação intersetorial)

Alternativa C:

  • ❌ Adiar tratamento inalatório é inadequado (criança já teve 2 emergências)
  • ❌ Não resolve barreiras comunicacionais e culturais
  • ⚠️ Fatores ambientais são importantes, mas não substituem tratamento medicamentoso

Alternativa D:

  • ❌ Evitar discutir a garrafada prejudica vínculo terapêutico
  • ❌ Ignora barreira linguística
  • ❌ Redução de atividades físicas sem avaliação adequada

## Princípios Aplicados

  1. Competência Cultural: Reconhecer crenças, valores e práticas de saúde da família
  2. Comunicação Eficaz: Usar intérprete profissional, evitar jargões médicos
  3. Acolhimento: Validar preocupações antes de educar sobre tratamento
  4. Coordenação: Integrar serviços (saúde, escola, proteção social)
  5. Autonomia: Pactuar tratamento, não impor

Conclusão

Alternativa B é a melhor conduta inicial porque integra todas as dimensões necessárias: comunicação adequada, respeito às crenças familiares, tratamento clínico oportuno e coordenação intersetorial. Esta abordagem está alinhada com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e diretrizes de atenção primária à saúde.

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