Alternativa E - teste oral de tolerância à glicose com 75 g em jejum, uma e duas horas após sobrecarga, entre 24 e 28 semanas.
Análise da Questão
Esta questão aborda o protocolo de rastreamento e diagnóstico do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) segundo as diretrizes do Ministério da Saúde do Brasil (Manual de Atenção Pré-Natal) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
1. Perfil da Paciente e Risco
Primeiramente, calculamos o Índice de Massa Corporal (IMC) da paciente para identificar o risco:
IMC = \frac{Peso}{Altura^2}
IMC = \frac{80}{1,60^2} = \frac{80}{2,56} \approx 31,25 \text{ kg/m}^2
Com um IMC pré-gestacional superior a $25$ ou $30 \text{ kg/m}^2$, esta paciente é considerada de alto risco para DMG. Mulheres nesse perfil devem ter avaliação precoce (no primeiro trimestre). Como ela não realizou os exames nessa fase, devemos aguardar a janela padrão para o diagnóstico definitivo.
2. O Exame Padrão (Método Único)
No sistema público de saúde brasileiro (SUS), o método recomendado é o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g.
- Dosagens exigidas: Jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão da carga de glicose.
- Janela Temporal: O pico de resistência insulínica ocorre entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Portanto, este é o momento ideal para realizar o diagnóstico, mesmo em mulheres de alto risco que perderam a oportunidade de rastreamento inicial.
3. Por que as outras alternativas estão incorretas?
| Alternativa | Erro Identificado |
|---|
| A | Hemoglobina glicada (HbA1c) não é o método preferencial para diagnóstico de DMG isolado, pois reflete médias de longo prazo e pode não detectar alterações agudas da gravidez. |
| B | O teste com $100\text{g}$ (Carpenter-Coustan) é menos comum no fluxo atual do SUS comparado ao de $75\text{g}. Além disso, o protocolo de $100\text{g} geralmente exige 3 medidas (1h, 2h e 3h), não apenas 2h. |
| C | Menciona apenas jejum e duas horas, omitindo a medida de 1 hora, essencial no protocolo de $75\text{g}$ vigente. Também não cita o intervalo temporal ideal (24-28 semanas). |
| D | Realizar apenas hemoglobina glicada é insuficiente para o diagnóstico de DMG segundo as diretrizes brasileiras atuais. |
Conclusão
A alternativa E é a única que descreve corretamente o protocolo completo (dosagens de 0h, 1h e 2h) utilizando a carga correta ($75\text{g}$) e respeita a janela fisiológica ideal para o diagnóstico (24 a 28 semanas), o que se aplica perfeitamente a uma paciente que está na 23ª semana e precisa ser agendada para o período correto.