Mulher, 56 anos de idade, aposentada, mora sozinha desde o falecimento da mãe, há um ano, após ter exercido o papel de cuidadora exclusiva durante cinco anos, em decorrência de demência avançada. É portadora de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 com controle clínico adequado e boa adesão ao tratamento medicamentoso. Faz uso crônico de benzodiazepínico. Nos últimos 12 meses, realizou 18 consultas na Unidade Básica de Saúde, geralmente por queixas inespecíficas, como fadiga, dores difusas, tonturas e sensação persistente de mal-estar. Exames complementares realizados não evidenciaram alterações clínicas relevantes. Mantém independência funcional e nega humor deprimido persistente ou anedonia. A equipe observa baixo nível de atividade física e pouca participação social. A paciente demonstra preferência por se consultar sempre com o(a) mesmo(a) médico(a) e frequentemente verbaliza sentimentos de solidão. Parte da equipe manifesta preocupação com a elevada frequência de consultas e sugere limitar os atendimentos devido à alta demanda assistencial. Considerando o manejo de pessoas que se consultam frequentemente e apresentam sintomas persistentes de difícil caracterização na Atenção Primária à Saúde, qual é a conduta mais adequada?
Mulher, 56 anos de idade, aposentada, mora sozinha desde o falecimento da mãe, há um ano, após ter exercido o papel de cuidadora exclusiva durante cinco anos, em decorrência de demência avançada. É portadora de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 com controle clínico adequado e boa adesão ao tratamento medicamentoso. Faz uso crônico de benzodiazepínico. Nos últimos 12 meses, realizou 18 consultas na Unidade Básica de Saúde, geralmente por queixas inespecíficas, como fadiga, dores difusas, tonturas e sensação persistente de mal-estar. Exames complementares realizados não evidenciaram alterações clínicas relevantes. Mantém independência funcional e nega humor deprimido persistente ou anedonia. A equipe observa baixo nível de atividade física e pouca participação social. A paciente demonstra preferência por se consultar sempre com o(a) mesmo(a) médico(a) e frequentemente verbaliza sentimentos de solidão.
Parte da equipe manifesta preocupação com a elevada frequência de consultas e sugere limitar os atendimentos devido à alta demanda assistencial.
Considerando o manejo de pessoas que se consultam frequentemente e apresentam sintomas persistentes de difícil caracterização na Atenção Primária à Saúde, qual é a conduta mais adequada?
- Validar o sofrimento relatado, mesmo na ausência de explicação biomédica definida, explicar que os exames normais afastam doença orgânica e orientar que novos retornos ocorram diante da piora dos sintomas ou de sinais de alarme.
- Validar o sofrimento relatado, mesmo na ausência de explicação biomédica definida, ampliar a investigação diagnostica para descartar causas clínicas menos prevalentes e considerar encaminhamento para outras especialidades, para reduzir a incerteza diagnóstica.
- Validar o sofrimento relatado, mesmo na ausência de explicação biomédica definida, assegurar acompanhamento longitudinal com agenda programada e construir um plano de cuidado com intervenções graduais fundamentadas na compreensão do contexto de vida da paciente.
- Validar o sofrimento relatado, mesmo na ausência de explicação biomédica definida, tranquilizar sobre os sintomas, já que não há sinais de alerta, e propor intervenções centradas em mudanças comportamentais para reduzir a dependência da equipe.