Medicina Múltipla Escolha

Mulher negra de 38 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) por dor lombar há 4 semanas, com piora progressiva. Conta que já procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas recebeu analgésicos e teve pouca melhora. Está afastada do trabalho informal há 3 semanas por limitação funcional. Refere que tem adiado retornos por experiências anteriores em que se sentiu desacreditada e tratada com grosseria. Nega febre, perda de peso, história de trauma ou déficit neurológico. Ao exame físico, há pontos-gatilho na musculatura paravertebral, sem sinais neurológicos focais. Considerando o cuidado na APS e os princípios da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, qual é a conduta mais adequada?

Mulher negra de 38 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) por dor lombar há 4 semanas, com piora progressiva. Conta que já procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas recebeu analgésicos e teve pouca melhora. Está afastada do trabalho informal há 3 semanas por limitação funcional. Refere que tem adiado retornos por experiências anteriores em que se sentiu desacreditada e tratada com grosseria. Nega febre, perda de peso, história de trauma ou déficit neurológico. Ao exame físico, há pontos-gatilho na musculatura paravertebral, sem sinais neurológicos focais. Considerando o cuidado na APS e os princípios da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, qual é a conduta mais adequada?

  1. Solicitar exames de imagem para evitar novo atraso diagnóstico, pois pessoas negras têm maior risco de lombalgia grave.
  2. Validar a experiência de sofrimento, investigar barreiras de acesso e pactuar plano de cuidado com segulmento, reconhecendo o impacto do racismo insutucional no cuidado.
  3. Explicar que a lombalgia crônica é multifatorial e orientar advidade fisica, evitando discar experiências de discriminação para não reforçar vitimização.
  4. Compartilhar cuidado com nível secundário devido a dor crônica refratária à analgesia.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Validar a experiência de sofrimento, investigar barreiras de acesso e pactuar plano de cuidado com seguimento, reconhecendo o impacto do racismo institucional no cuidado.

Análise da Questão

Esta questão aborda dois aspectos fundamentais do SUS brasileiro:

  1. Condução clínica adequada da lombalgia não específica
  2. Aplicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

Aspectos Clínicos Importantes

Sinal de AlertaPresente?Implicação
FebreNãoSem infecção/sistêmica
Perda de pesoNãoSem neoplasia suspeita
TraumaNãoSem lesão aguda
Déficit neurológicoNãoSem compressão nervosa
Dor há >4 semanasSimLombalgia subaguda/crônica

Não há "red flags" que justifiquem exames de imagem imediatos na abordagem inicial da lombalgia não específica.

Princípios da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

A política estabelece que:

  • O racismo institucional é um determinante social de saúde
  • Profissionais devem reconhecer e validar experiências discriminatórias
  • É necessário construir vínculo terapêutico baseado em confiança mútua
  • Deve-se investigar barreiras de acesso que afetam populações negras

Avaliação das Alternativas

A. Incorreta - Solicitar exames sem indicação clínica adequada e associar risco à raça é prática discriminatória sem base científica.

B. Correta - Aborda tanto o aspecto clínico quanto o psicossocial:

  • Validação do sofrimento do paciente
  • Reconhecimento do racismo institucional como fator de desconfiança
  • Pactuação colaborativa do plano de cuidado
  • Seguimento para manter vínculo terapêutico

C. Incorreta - Evitar discutir discriminação reforça a invisibilização do problema e vai contra os princípios da política.

D. Incorreta - Referral prematuro ignora a oportunidade de construir vínculo na APS e resolver questões de confiança antes.

Conclusão

A alternativa B representa a conduta mais adequada porque integra o cuidado clínico adequado com o reconhecimento das desigualdades estruturais de saúde, conforme preconiza a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Nota: Em questões clínicas reais, recomenda-se sempre verificação oficial com protocolos atualizados do Ministério da Saúde.

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