Medicina Múltipla Escolha

Primigesta, 38 anos de idade, 37 semanas, com diagnóstico de diabetes gestacional insulino dependente. Na última semana demonstra maior número de episódios de hipoglicemia com a mesma dose de insulina. Exame físico: AU 37 cm, dinâmica uterina ausente, colo grosso, posterior e impérvio. Ultrassonografia: circunferência abdominal no percentil 95, maior bolsão de líquido amniótico 9,0 cm e Dopplervelocimetria dentro dos padrões da normalidade. Qual é a conduta mais adequada?

Primigesta, 38 anos de idade, 37 semanas, com diagnóstico de diabetes gestacional insulino dependente. Na última semana demonstra maior número de episódios de hipoglicemia com a mesma dose de insulina. Exame físico: AU 37 cm, dinâmica uterina ausente, colo grosso, posterior e impérvio. Ultrassonografia: circunferência abdominal no percentil 95, maior bolsão de líquido amniótico 9,0 cm e Dopplervelocimetria dentro dos padrões da normalidade. Qual é a conduta mais adequada?

  1. Parto cesáreo imediato.
  2. Controle de vitalidade por cardiotocografia e parto com 39 semanas.
  3. Indução de parto imediato.
  4. Controle de vitalidade do perfil biofísico fetal e parto com 39 semanas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D

Esta questão aborda o manejo da gestante diabética (insulino-dependente) em termo tardio (37 semanas) com complicações associadas.

Análise Clínica

1. Momento do Parto (Timing)
Para pacientes com Diabetes Gestacional Insulino Dependente, as diretrizes atuais (como ACOG e consensos brasileiros) recomendam o planejamento do parto entre a 39ª semana e a 40ª semana, desde que não haja sinais de sofrimento fetal ou descompensação materna grave.

  • Justificativa: O parto antes das 39 semanas aumenta riscos respiratórios neonatais sem benefício claro se o feto estiver estável.
  • Exceção: Se houver descompensação glicêmica severa, policitemia fetal, macrossomia extrema (>4500g) ou oligo/polidrâmnio significativo associado a outras patologias, pode-se antecipar para 38 semanas. Neste caso, apesar do polidrâmnio (bolsão 9,0 cm) e risco de macrossomia, o Doppler está normal e não há sinais de sofrimento agudo, permitindo aguardar até 39 semanas.

2. Vigilância Pré-Natal (Monitoramento)
A paciente apresenta polidrâmnio (maior bolsão de líquido > 8 cm é considerado polidrâmnio).

  • Perfil Biofísico Fetal (PBF): É o método mais completo pois avalia movimento fetal, tônus, respiração, frequência cardíaca E VOLUME DE LÍQUIDO AMNIÓTICO.
  • Cardiotocografia (CTG): Avalia apenas a frequência cardíaca fetal.
  • Escolha: Como a paciente já tem alteração no líquido amniótico (9,0 cm), o PBF é superior à CTG isolada para monitorar se o quadro de polidrâmnio piora ou melhora. Isso torna a opção D tecnicamente mais adequada que a B.

3. Condição do Colo Uterino
O exame físico descreve colo "grossos, posterior e impérvio" (desfavorável).

  • Implicação: Uma indução de parto imediata (Opção C) teria baixa taxa de sucesso e aumentaria o risco de cesárea de urgência. O ideal é esperar pela maturidade cervical natural ou planejar a indução na data prevista (39 semanas), quando a probabilidade de sucesso é maior.

Resumo das Opções

OpçãoAvaliação
AIncorreta. Não há indicação de emergência obstétrica (Doppler normal, sem sofrimento fetal agudo).
BInadequada. Embora o tempo (39 semanas) esteja correto, a vigilância (CTG) é menos completa que o PBF para casos com alteração de líquido.
CIncorreta. Colo desfavorável contraindica indução imediata; além disso, 37 semanas é pré-termo tardio, evitando-se se possível.
DCorreta. Planeja parto às 39 semanas (padrão ouro para GDM insulino-dependente) com vigilância adequada ao polidrâmnio (PBF).

Conclusão

A conduta mais segura e equilibrada é realizar o controle de vitalidade fetal utilizando um método abrangente (Perfil Biofísico) devido ao polidrâmnio e programar o parto para as 39 semanas, momento em que os benefícios pulmonares superam os riscos fetais, evitando a prematuridade desnecessária.

Alternativa D.

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