Medicina Múltipla Escolha

Primigesta de 16 anos apresenta sangramento vaginal, episódio de febre e dor tipo cólica há dois dias. AP: amenorreia de 16 semanas. Ao exame físico: PA 110 x 60 mmHg, FC 110 bpm, T 38,1°C, útero palpável cerca de 6 cm acima da sínfise púbica, doloroso à palpação, BCF 170 bpm. Toque vaginal: vagina hipertérmica, colo posterior, doloroso à mobilização, dilatado 2 cm. Aos exames laboratoriais: Ht 32%, Hb 9 g/dL, GB 26 500/mm3, bastões 4%. A hipótese diagnóstica e a conduta são, correta e respectivamente:

Primigesta de 16 anos apresenta sangramento vaginal, episódio de febre e dor tipo cólica há dois dias. AP: amenorreia de 16 semanas. Ao exame físico: PA 110 x 60 mmHg, FC 110 bpm, T 38,1°C, útero palpável cerca de 6 cm acima da sínfise púbica, doloroso à palpação, BCF 170 bpm. Toque vaginal: vagina hipertérmica, colo posterior, doloroso à mobilização, dilatado 2 cm. Aos exames laboratoriais: Ht 32%, Hb 9 g/dL, GB 26 500/mm3, bastões 4%. A hipótese diagnóstica e a conduta são, correta e respectivamente:

  1. aborto incompleto; clindamicina e aspiração manual intra-uterina.
  2. corioamnionite; clindamicina e garamicina.
  3. corioamnionite; amoxacilina, betametasona e resolução da gravidez.
  4. aborto infectado; clindamicina e garamicina e interrupção da gravidez.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D

A questão descreve um caso clássico de aborto infectado, exigindo o reconhecimento dos sinais de infecção sistêmica associados à perda gestacional espontânea.

Diagnóstico Clínico

O quadro clínico apresenta os critérios para aborto infectado:

  • História Gestacional: 16 semanas de amenorreia com sangramento vaginal e dor tipo cólica (sinais de aborto em curso).
  • Sinais de Infecção: Febre ($38,1^\circ\text{C}), taquicardia ($110\text{ bpm}), leucocitose elevada ($26.500/\text{mm}^3$) e útero doloroso à palpação.
  • Exame Físico: Colo dilatado ($2\text{ cm}$) e hiperemia vaginal indicam que o processo abortivo está ativo e associado a infecção ascendente.

Análise das Condutas

O manejo do aborto infectado segue protocolos específicos focados na estabilização materna e remoção da fonte infecciosa:

  1. Antibioticoterapia: É necessário antibiótico de amplo espectro para cobrir bactérias aeróbias e anaeróbias. A combinação de clindamicina (cobertura anaeróbia) e garamicina (cobertura gram-negativa) é uma escolha padrão eficaz.
  2. Esvaziamento Uterino: A remoção dos produtos da concepção retidos é essencial para controlar a infecção. Isso é realizado através da interrupção da gravidez (evacuação uterina via aspiração ou curetagem), preferencialmente após início da antibioticoterapia e estabilização hemodinâmica.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

AlternativaErro Principal
AClassifica como "aborto incompleto" sem considerar os sinais graves de sepse (febre alta, leucocitose extrema).
B"Corioamnionite" geralmente implica parto ou trabalho de parto prematuro; além disso, falta a indicação de esvaziamento uterino obrigatório.
CO uso de betametasona visa maturidade pulmonar fetal, o que não é prioridade neste quadro de risco materno iminente por sepse.

Conclusão:
A hipótese diagnóstica correta é aborto infectado devido à presença de febre e sinais inflamatórios em paciente com aborto em curso. A conduta adequada envolve antibioticoterapia combinada (clindamicina + garamicina) e interrupção da gravidez (evacuação uterina).

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