Medicina Múltipla Escolha

Um paciente de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando humor deprimido na maior parte dos dias, perda de interesse pelas atividades habituais e aumento do sono (cerca de 12 horas por dia) há aproximadamente dois meses. Apresenta também redução de energia e dificuldade de concentração, com impacto no desempenho profissional. Nega ideação suicida e não faz uso de álcool ou outras substâncias. Relata episódio prévio de mania após término afetivo, com aumento de energia, diminuição do sono, aumento da produtividade e gastos excessivos. Possui histórico familiar de esquizofrenia na mãe. Solicita prescrição de antidepressivo devido ao medo de perder o emprego. Considerando o raciocínio clínico na atenção primária à saúde, qual é a conduta inicial mais adequada?

Um paciente de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando humor deprimido na maior parte dos dias, perda de interesse pelas atividades habituais e aumento do sono (cerca de 12 horas por dia) há aproximadamente dois meses. Apresenta também redução de energia e dificuldade de concentração, com impacto no desempenho profissional. Nega ideação suicida e não faz uso de álcool ou outras substâncias. Relata episódio prévio de mania após término afetivo, com aumento de energia, diminuição do sono, aumento da produtividade e gastos excessivos. Possui histórico familiar de esquizofrenia na mãe. Solicita prescrição de antidepressivo devido ao medo de perder o emprego. Considerando o raciocínio clínico na atenção primária à saúde, qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. Atender à expectativa da pessoa e prescrever um Inibidor Seletivo de Recaptação de Serotonina (ISRS), monitorando os riscos nas primeiras quatro semanas.
  2. Iniciar um estabilizador de humor ou antipsicótico atípico e realizar psicoeducação sobre a ciclicidade do transtorno.
  3. Solicitar exames laboratoriais e adotar a demora permitida por duas semanas antes de iniciar qualquer psicofármaco, visando descartar causas orgânicas primárias.
  4. Referenciar a pessoa ao psiquiatra (nível secundário) para confirmação diagnóstica, dado o histórico familiar.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Análise do Caso Clínico

Resumo da Situação

Paciente de 34 anos apresenta quadro depressivo atual com histórico prévio de episódio hipomaníaco (10 dias de energia aumentada, redução de sono sem fadiga, gastos excessivos). Este padrão sugere Transtorno Bipolar, não depressão unipolar.

## Raciocínio Diagnóstico

CaracterísticaDepressão UnipolarTranstorno Bipolar
Episódio depressivoSimSim (paciente atual)
Episódio maníaco/hipomaníacoNãoSim (episódio há 1 ano)
Resposta a antidepressivosGeralmente boaPode desencadear mania
Histórico familiarVariávelMaior risco (esquizofrenia na mãe)

Elementos-chave do caso:

  • Episódio atual: humor deprimido, perda de interesse, hipersônia, redução de energia
  • Episódio anterior: 10 dias com energia aumentada, sono reduzido sem fadiga, falatório excessivo, gastos excessivos
  • Critérios de hipomania atendidos (≥4 dias de sintomas elevados)

## Avaliação das Alternativas

Alternativa A - ISRS isolado

Contraindicada em suspeita de bipolaridade

  • Antidepressivos podem desencadear virada para mania ou ciclagem rápida
  • Sem estabilizador de humor, aumenta o risco de piora do curso da doença

Alternativa B - Estabilizador de humor + psicoeducação

Mais adequada

  • Tratamento específico para transtorno bipolar
  • Psicoeducação sobre ciclicidade ajuda no adesão ao tratamento
  • Alinha-se com diretrizes de atenção primária para casos de bipolaridade confirmada ou altamente suspeita

Alternativa C - Demora de duas semanas

Desnecessário atraso

  • Quadros psiquiátricos claros não exigem exames laboratoriais como primeira conduta
  • Paciente já relata impacto funcional profissional significativo

Alternativa D - Encaminhamento ao psiquiatra

⚠️ Relevante, mas não prioritário

  • Histórico familiar de esquizofrenia merece atenção, porém não contraindica início de tratamento
  • Em atenção primária, deve-se iniciar manejo básico enquanto aguarda referência

Conclusão

Alternativa B

O raciocínio clínico na atenção primária recomenda iniciar tratamento específico quando há forte sugestão de transtorno bipolar, evitando antidepressivos isolados que podem agravar o quadro. A psicoeducação sobre a natureza cíclica da doença é fundamental para adesão e autogestão. O encaminhamento secundário pode ocorrer concomitantemente para confirmação diagnóstica definitiva.

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