Medicina Múltipla Escolha

Uma mulher cisgênero de 35 anos de idade procura a UBS para consulta de rotina. Está assintomática, não apresenta doenças crônicas e não faz uso contínuo de medicamentos. Durante a anamnese, relata que iniciou atividade sexual aos 19 anos e que, desde então, manteve relações sexuais exclusivamente com mulheres, não tendo como prática habitual a penetração vaginal. Ao revisar o prontuário, o médico identifica que a paciente recebeu esquema completo de vacinação contra o HPV, não possui histórico de infecções sexualmente transmissíveis nem de alterações prévias em exames citopatológicos do colo do útero. O último exame citopatológico foi realizado há 4 anos. Diante desse contexto, considerando o citopatológico como o exame disponível, qual é a conduta mais adequada em relação ao rastreamento do câncer do colo do útero para essa paciente?

Uma mulher cisgênero de 35 anos de idade procura a UBS para consulta de rotina. Está assintomática, não apresenta doenças crônicas e não faz uso contínuo de medicamentos. Durante a anamnese, relata que iniciou atividade sexual aos 19 anos e que, desde então, manteve relações sexuais exclusivamente com mulheres, não tendo como prática habitual a penetração vaginal. Ao revisar o prontuário, o médico identifica que a paciente recebeu esquema completo de vacinação contra o HPV, não possui histórico de infecções sexualmente transmissíveis nem de alterações prévias em exames citopatológicos do colo do útero. O último exame citopatológico foi realizado há 4 anos.

Diante desse contexto, considerando o citopatológico como o exame disponível, qual é a conduta mais adequada em relação ao rastreamento do câncer do colo do útero para essa paciente?

  1. Indicar alta do rastreamento, já que a paciente é vacinada para HPV e não tem sexo insertivo como prática.
  2. Indicar nova coleta nesta consulta e programar coletas anuais, já que a paciente apresenta alto risco para lesões precursoras.
  3. Seguir a rotina de rastreamento para todas as pessoas com útero/vagina e indicar nova coleta nesta consulta.
  4. Seguir a rotina de rastreamento para todas as pessoas com úterovagina e indicar nova coleta em um ano.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Análise da Questão sobre Rastreamento do Câncer do Colo do Útero

Contexto Clínico

Esta questão aborda um caso clínico realista que testa o conhecimento das diretrizes do Ministério da Saúde brasileiro para rastreamento do câncer do colo do útero. A paciente apresenta características específicas que podem gerar dúvidas sobre a necessidade de continuidade do rastreamento.

Pontos Fundamentais

1. Vacinação contra HPV e Rastreamento

FatoEsclarecimento
Vacinação completaNÃO elimina a necessidade de rastreamento
Cobertura vacinalProtege apenas contra tipos específicos de HPV
Tipos não cobertosExistem outros tipos oncogênicos além dos incluídos na vacina

A vacinação reduz significativamente o risco, mas não substitui o exame citopatológico.

2. Orientação Sexual e Práticas Sexuais

  • O rastreamento é baseado na presença de útero/vagina, não em orientação sexual
  • Transmissão do HPV pode ocorrer por contato pele-a-pele genital
  • Pessoas com útero devem seguir as mesmas recomendações independentemente de parceiros ou práticas sexuais

3. Intervalo de Rastreamento

De acordo com o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero (Ministério da Saúde):

Faixa EtáriaIntervalo Recomendado
25-64 anosA cada 3 anos
Com histórico de alteraçõesSeguimento individualizado

Como o último exame foi há 4 anos, o intervalo padrão já foi ultrapassado.

## Análise das Alternativas

Alternativa A - Incorreta

  • Vacinação não justifica alta do rastreamento
  • Todos os indivíduos com útero devem ser acompanhados

Alternativa B - Incorreta

  • Coletas anuais são excessivas para pacientes de baixo risco
  • Só seria indicado em casos de histórico de lesões precursoras

Alternativa C - Correta

  • Segue a rotina padrão para todas as pessoas com útero/vagina
  • Nova coleta é necessária pois o intervalo de 3 anos já foi ultrapassado
  • Mantém o seguimento adequado sem exageros

Alternativa D - Incorreta

  • Agendar para daqui a 1 ano deixaria a paciente desassistida
  • Já faz 4 anos do último exame, precisa ser feito AGORA

Conclusão

Alternativa C

A conduta adequada é seguir a rotina de rastreamento estabelecida pelo Ministério da Saúde, indicando nova coleta nesta consulta, pois:

  • Paciente tem útero e está dentro da faixa etária recomendada (25-64 anos)
  • O intervalo de 3 anos já foi ultrapassado (faz 4 anos do último exame)
  • Vacinação não dispensa rastreamento
  • Orientação sexual não altera as recomendações de rastreamento

Após este novo exame, se normal, deve-se retornar ao intervalo de 3 anos conforme a rotina padrão.

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