Medicina Múltipla Escolha

Uma paciente gestante de 25 semanas apresenta dor em região de flanco direito há 1 dia, associada a náuseas e vômitos. No hemograma, apresenta uma leucocitose de 11.500 (VR = 10.000). Quanto a esse caso, é correto afirmar que:

Uma paciente gestante de 25 semanas apresenta dor em região de flanco direito há 1 dia, associada a náuseas e vômitos. No hemograma, apresenta uma leucocitose de 11.500 (VR = 10.000). Quanto a esse caso, é correto afirmar que:

  1. Se deve fazer uma ultrassonografia abdominal devido à suspeita de apendicite aguda e, caso necessário, tomografia para melhor visualização do apêndice.
  2. Há suspeita de apendicite aguda, devido à localização da dor (apêndice deslocado cefalicamente). Uma ultrassonografia de abdome pode visualizar o apêndice e ajudar a esclarecer o diagnóstico.
  3. Pode se tratar apenas de uma intercorrência da gestação, como dor do ligamento redondo. Para melhor esclarecimento do caso, deve-se solicitar uma ressonância abdominal, ultrassonografia não é recomendada nessa idade gestacional.
  4. Há grandes chances de ser uma apendicite aguda, já que a paciente tem dor em flanco direito (apêndice deslocado cefalicamente) e tem leucocitose, sinal de que há um processo inflamatório agudo vigente.
  5. Se trata de uma provável colecistite, devido à topografia da dor associada à leucocitose, que favorece processo inflamatório agudo.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B

A questão aborda o diagnóstico de apendicite aguda em gestantes, uma emergência cirúrgica comum e desafiadora devido às alterações fisiológicas da gravidez.

Análise Clínica e Diagnóstica

1. Alteração Anatômica do Apêndice
Durante a gestação, o útero em crescimento desloca os órgãos abdominais. O apêndice, que normalmente está na fossa ilíaca direita, é empurrado para cima (cefalicamente) e para fora.

  • Isso explica por que a dor ocorre na região de flanco direito ou hipocôndrio direito, e não apenas no ponto clássico de McBurney.
  • Por isso, a localização clássica da dor pode não estar presente, dificultando o diagnóstico clínico isolado.

2. Exames Laboratoriais (Hemograma)

  • É importante notar que a leucocitose (aumento dos glóbulos brancos) é um achado fisiológico comum durante a gravidez.
  • Valores entre 10.000 e 16.000/mm³ podem ser normais em gestantes, especialmente no segundo trimestre. Portanto, o valor de 11.500 apresentado na questão tem pouco poder discriminatório para confirmar inflamação aguda sozinho, tornando a opção D menos precisa ao atribuir peso excessivo a esse dado isolado.

3. Escolha do Método de Imagem

  • Ultrassonografia (USG): É o método de imagem de primeira linha na gestação. É seguro, não utiliza radiação ionizante e permite avaliar o apêndice e outros órgãos pélvicos.
  • Tomografia Computadorizada (TC): Envolve radiação e deve ser evitada se possível. Geralmente só é usada se o USG for inconclusivo e houver alta suspeita clínica, sendo substituída preferencialmente pela Ressonância Magnética (RM) em alguns protocolos.
  • Ressonância Magnética: Pode ser utilizada como segunda escolha se o USG não for conclusivo, mas nunca como primeira linha sem tentar o USG primeiro.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A: Sugere a tomografia ("caso necessário") antes de esgotar opções mais seguras ou confirmação pelo USG como principal ferramenta diagnóstica inicial. Embora o USG seja correto, a ênfase na TC torna esta opção menos ideal que a B, que foca na investigação primária segura.
  • C: Afirma que a ultrassonografia não é recomendada nessa idade gestacional, o que é falso. O USG é seguro e recomendado. Além disso, a dor do ligamento redondo raramente causa leucocitose significativa ou vômitos intensos persistentes.
  • D: Embora a suspeita de apendicite exista, basear a afirmação de "grandes chances" principalmente na leucocitose é enganoso, pois esse valor é inespecífico na gestação devido à fisiologia natural. A alternativa B é mais completa ao explicar a causa da dor (deslocamento) e propor o exame adequado.
  • E: Colecistite é uma possibilidade, mas a apendicite é a patologia cirúrgica não obstétrica mais frequente e a descrição do deslocamento do apêndice nas outras alternativas direciona o foco para essa condição.

Conclusão:
A alternativa B é a correta porque reconhece a alteração anatômica típica da gravidez (que gera dor em flanco) e indica o método de imagem mais seguro e apropriado para o caso inicial (ultrassonografia).

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