Direito Penal Múltipla Escolha

Beraldo, engenheiro, procura uma autoridade policial para comunicar uma difamação que sofreu, delito que no artigo 145 do Código Penal (CP), prevê que “se procede mediante queixa”. Qual a natureza da ação penal?

Beraldo, engenheiro, procura uma autoridade policial para comunicar uma difamação que sofreu, delito que no artigo 145 do Código Penal (CP), prevê que “se procede mediante queixa”. Qual a natureza da ação penal?

  1. privada exclusiva, motivo pelo qual a autoridade policial instaurará o inquérito policial se Beraldo o requerer, orientando-o, ainda, a oferecer a queixa-crime ao juízo competente no prazo de 6 meses a contar da data em que tomou conhecimento quem era o autor do fato.
  2. privada personalíssima, motivo pelo qual a autoridade policial instaurará o inquérito policial se Beraldo o requerer, orientando-o, ainda, a oferecer a queixa-crime ao juízo competente.
  3. pública condicionada à representação, motivo pelo qual a autoridade policial receberá a comunicação verbal de Beraldo como representação e determinará que ela seja reduzida a termo, instaurando o inquérito policial, caso não seja crime de menor potencial ofensivo, quando, então, fará termo circunstanciado.
  4. pública incondicionada à representação, motivo pelo qual a autoridade policial instaurará o devido inquérito policial, independentemente da vontade do ofendido.
  5. privada subsidiária da pública, motivo pelo qual a autoridade policial instaurará o inquérito policial, já que a princípio é pública, de modo que se Beraldo o requerer poderá oferecer queixa-crime.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A

Análise da Questão

A questão aborda a natureza da ação penal para o crime de difamação (art. 139 do Código Penal), indicando que este se processa mediante queixa.

Para resolver, é necessário classificar corretamente a ação penal e entender os procedimentos policiais associados a essa classificação.

  1. Classificação da Ação Penal:
  • O crime de difamação é um crime contra a honra.
  • O enunciado cita expressamente que o processo ocorre "mediante queixa". Isso caracteriza uma Ação Penal Privada.
  • Dentro das ações privadas, a difamação é classificada como Privada Exclusiva. Isso significa que o direito de iniciar o processo pertence exclusivamente à vítima (ofendido), sendo indelegável em vida (embora herdeiros possam agir em caso de morte, conforme art. 145, § 1º do CP, a regra geral é a exclusividade da vontade do ofendido).
  • Diferença chave: Não é "Pública Condicionada" (como ameaça ou lesão corporal leve), onde o Estado atua, mas depende da vontade da vítima (representação). Na ação privada, o próprio particular oferece a queixa.
  1. Procedimento Policial (Inquérito Policial):
  • Em crimes de Ação Pública, a autoridade policial deve instaurar o inquérito imediatamente ao tomar conhecimento do fato (obrigatoriedade).
  • Em crimes de Ação Privada, a autoridade policial não tem o dever automático de instaurar o inquérito. O inquérito só será aberto se a vítima (Beraldo) solicitar, visando reunir provas antes de oferecer a queixa-crime diretamente ao juízo (CPP, art. 5º, § 2º).

Justificativa Didática

  • Por que não é Pública? Porque o Estado não pode agir sem a iniciativa da vítima (queixa). Isso elimina as alternativas C e D.
  • Por que não é Subsidiária? A subsidiária ocorre quando o Ministério Público falha em agir na ação pública. Aqui, a ação é originariamente privada. Elimina a alternativa E.
  • Por que "Exclusiva" e não "Personalíssima"? Embora termos parecidos, a doutrina majoritária e os concursos classificam crimes contra a honra (calúnia, difamação, injúria) como Ação Privada Exclusiva. O termo "Personalíssima" é mais restrito e menos comum para esta categoria específica em questões de múltipla escolha padrão. Além disso, a alternativa A descreve corretamente a consequência processual: a polícia instaura o inquérito apenas se o ofendido requerer.

Portanto, a alternativa A é a correta por identificar a natureza da ação como privada exclusiva e correlacionar isso com a regra de que o inquérito policial depende de requisição do ofendido.

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