Direito Penal Múltipla Escolha

Um servidor público, ao receber valores de terceiros em razão de sua função, retém os valores em benefício próprio, sem repassá-los ao órgão competente. Considerando os sujeitos do delito e a tipificação penal, avalie a conduta.

Um servidor público, ao receber valores de terceiros em razão de sua função, retém os valores em benefício próprio, sem repassá-los ao órgão competente. Considerando os sujeitos do delito e a tipificação penal, avalie a conduta.

  1. A conduta configura peculato, pois envolve servidor público e valores recebidos em razão do cargo.
  2. Trata-se de apropriação indébita simples, pois não há exigência de função pública no tipo penal.
  3. O agente responde por estelionato, dada a obtenção ilícita do bem por meio fraudulento.
  4. O sujeito ativo deve ser particular, pois o crime de apropriação indébita não se aplica a servidores públicos.
  5. A situação retrata abuso de confiança, aplicando-se o tipo penal de furto qualificado.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - A conduta configura peculado, pois envolve servidor público e valores recebidos em razão do cargo.

Introdução ao Tema

A questão trata de um dos crimes mais comuns contra a Administração Pública: o Peculado. Para identificá-lo corretamente, é necessário analisar a qualidade do agente (sujeito ativo) e a relação deste com o bem desviado.

Desenvolvimento

No Direito Penal brasileiro, a definição de Peculado está prevista no Artigo 312 do Código Penal. Ele ocorre quando um funcionário público se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, ou capitalização de juros, de que tenha a posse ou a administração em razão do cargo.

Existem duas modalidades principais de Peculado:

  1. Peculado-Apropriação: O agente já tem a posse ou administração do bem (dinheiro público ou entregue a título oficial) e decide ficar com ele.
  2. Peculado-Desvio: O agente desvia o bem para fim diverso daquele para o qual foi destinado.

No caso apresentado:

  • Sujeito Ativo: Servidor público.
  • Conduta: Receber valores de terceiros em razão da função e reter em benefício próprio (não repassar).
  • Nexo Causal: Os valores foram recebidos "em razão de sua função".

Isso encaixa perfeitamente na definição de Peculado-Apropriação, conforme o § 1º do art. 312 do CP: "Comete o mesmo crime o funcionário público que, embora sem posse ou administração, apropriar-se de bem móvel, de que tem a posse em razão do cargo...".

Análise das Alternativas

  • Alternativa A (Correta): Descreve fielmente os elementos do crime de peculado. A chave é a combinação: Servidor Público + Razão do Cargo + Apropriação.
  • Alternativa B (Incorreta): A Apropriação Indébita (Art. 168) é um crime patrimonial comum. Quando o agente é servidor público e age em razão da função, aplica-se o tipo penal especial (Peculado), prevalecendo sobre o comum.
  • Alternativa C (Incorreta): O Estelionato (Art. 171) exige o uso de ardil ou fraude para induzir a vítima ao erro e obter vantagem ilícita. No cenário descrito, o servidor recebeu os valores inicialmente de forma legítima (para depois desviar), não havendo fraude na obtenção inicial.
  • Alternativa D (Incorreta): O crime de peculado é um crime próprio, ou seja, exige que o sujeito ativo seja funcionário público. Portanto, servidores públicos são os sujeitos ativos típicos desse crime, não particulares.
  • Alternativa E (Incorreta): Furto pressupõe a subtração de coisa alheia móvel. Como o bem foi entregue voluntariamente ao servidor (mesmo que para fins oficiais), não há furto. A conduta é de desvio de bens sob guarda oficial.

Conclusão

A conduta descrita é o clássico exemplo de Peculado-Apropriação. O fato de o servidor ter recebido o dinheiro em caráter oficial e não o ter repassado caracteriza o desvio de finalidade típico deste crime.

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