Direito Processual Múltipla Escolha

Os policiais militares Bernardo e Carlos realizam a prisão em flagrante de Ariomar, pela suposta prática do crime de roubo qualificado, conduzindo-o à Delegacia de Policia, onde prestaram depoimento na qualidade de testemunha. Após o devido processamento do inquérito policial e iniciada a Ação Penal, ao longo da instrução processual, nenhuma outra prova foi produzida, inclusive as próprias testemunhas que não compareceram em juizo. Com isso, o Ministério Público, dispensou a oitiva dos policiais, pugnando, ao fim da fase de conhecimento, pela condena-ção de Ariomar, embasado, exclusivamente, nos depoimentos prestados, em sede policial, por Bernardo e Carlos. Considerando os principios e teorias processuais penais, é correto afirmar que o juiz:

Os policiais militares Bernardo e Carlos realizam a prisão em flagrante de Ariomar, pela suposta prática do crime de roubo qualificado, conduzindo-o à Delegacia de Policia, onde prestaram depoimento na qualidade de testemunha. Após o devido processamento do inquérito policial e iniciada a Ação Penal, ao longo da instrução processual, nenhuma outra prova foi produzida, inclusive as próprias testemunhas que não compareceram em juizo. Com isso, o Ministério Público, dispensou a oitiva dos policiais, pugnando, ao fim da fase de conhecimento, pela condena-ção de Ariomar, embasado, exclusivamente, nos depoimentos prestados, em sede policial, por Bernardo e Carlos. Considerando os principios e teorias processuais penais, é correto afirmar que o juiz:

  1. O juiz NÃO poderá condenar Ariomar, em razão do sistema de íntima convicção que não admite fundamentação exclusivamente em elementos informativos da investigação, salvo as provas cautelares, não repetívels e antecipadas
  2. O juíz PODERÁ condenar Ariomar, em razão do sistema da intima convicção
  3. O juiz NÃO poderá condenar Ariomar, pois a convicção deve se formar pela livre apreciação da prova em contraditório, não se fundamentando exclusivamente em elementos informativos da investigação, salvo as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas
  4. O juíz PODERÁ condenar Ariomar, em razão do sistema do livre convencimento motivado
  5. O juiz NÃO poderá condenar Ariomar, pols a convicção deve se formar somente pela livre apreciação da prova em contraditório, não se fundamentando exclusivamente em elementos informativos da investigação ou provas cautelares, não repetíveis e antecipadas

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C

A questão aborda um dos pontos mais cobrados em Direito Processual Penal: a formação da convicção do juiz e a origem das provas. A resposta correta está alinhada com o artigo 155 do Código de Processo Penal (CPP).

Fundamentação Legal

O princípio norteador para a sentença do juiz é a livre apreciação da prova, mas com uma restrição fundamental: ela deve ser produzida em contraditório judicial.

Artigo 155 do CPP: "O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, salvo as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas."

No caso apresentado, os depoimentos foram prestados na Delegacia de Polícia (fase inquisitiva/administrativa) e não foram reproduzidos em juízo (fase acusatória/judicial). Como não houve contraditório na produção da prova, o juiz não pode usá-los como única base para a condenação.

Análise Detalhada das Alternativas

A alternativa C é a única que reflete corretamente o texto da lei e a doutrina majoritária.

  • Proibição Geral: O juiz não pode condenar baseado apenas em elementos do inquérito policial.
  • Exceção Permitida: Só é permitido usar provas sem contraditório se forem cautelares, não repetíveis e antecipadas.
  • Aplicação ao Caso: Os policiais poderiam ter sido ouvidos em juízo novamente. Portanto, não se enquadram na exceção de "não repetíveis".

Comparativo entre as Opções

AlternativaVereditoErro Identificado
AIncorretaUsa o termo "íntima convicção". Este conceito aplica-se aos jurados (Tribunal do Júri), não ao juiz togado, que usa "livre convencimento motivado".
BIncorretaAfirma que poderá condenar. Viola o Art. 155 do CPP e o contraditório.
CCorretaAlinha-se perfeitamente com o Art. 155 do CPP (livre apreciação em contraditório + exceção válida).
DIncorretaAfirma que poderá condenar. Ignora a necessidade de produção judicial da prova.
EIncorretaUsa o conectivo "ou" antes da exceção. Isso implicaria que nem mesmo provas cautelares não repetíveis poderiam ser usadas isoladamente, o que é falso.

Pegadinhas Comuns

Ao analisar questões sobre este tema, fique atento a estes detalhes:

  1. Íntima Convicção vs. Livre Convencimento:
  • Juiz: Livre convencimento motivado (deve explicar o porquê da decisão).
  • Jurados: Íntima convicção (decisão soberana, motivação simplificada).
  • Erro comum: Usar "íntima convicção" quando se fala do juiz ordinário.
  1. Salvo vs. Ou:
  • A lei diz "salvo as provas cautelares". Isso significa que elas são permitidas.
  • Se a alternativa disser "ou provas cautelares" dentro de uma proibição, torna a regra errada, pois exclui a exceção legal.
  1. Inquérito vs. Processo:
  • Provas do inquérito policial são informativas. Elas servem para dar início à ação penal, mas geralmente precisam ser ratificadas ou produzidas em juízo para valerem como prova de condenação.

Conclusão

O sistema penal brasileiro exige que a prova seja submetida ao contraditório na fase judicial para garantir a ampla defesa. Como os policiais não foram ouvidos em juízo e não se tratava de prova não repetível, a condenação baseada exclusivamente neles é ilegal.

Portanto, a afirmação correta é a da Alternativa C.

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