Alternativa C
Análise da Questão
A questão apresenta um trecho de texto do filósofo Luiz Felipe Pondé, que expressa uma visão liberal clássica sobre cidadania aplicada aos povos indígenas. Para responder corretamente, é necessário identificar a lógica subjacente ao argumento do autor.
Pontos-chave do texto:
- "Não acho que devemos nada a eles": O autor nega qualquer dívida histórica ou moral com os povos originários, ignorando o processo de colonização e expropriação.
- "Sou contra... reservas indígenas": Ele critica mecanismos de proteção territorial e cultural, classificando-os como "parques temáticos".
- "Quem só tem direitos e nenhum dever": O foco é na responsabilidade individual, sugerindo que a situação atual dos indígenas seria resultado de falta de esforço pessoal, e não de desigualdade estrutural.
Justificativa Didática
A alternativa correta é a C, pois ela descreve exatamente a postura ideológica revelada no texto.
- Perspectiva Individualista: O autor trata os indígenas como indivíduos comuns, sujeitos apenas às regras gerais de cidadania ("direitos e deveres"), sem considerar sua condição específica.
- Ignorância Histórica: Ao afirmar que "não devemos nada", ele apaga a história de violência e exclusão que gerou a vulnerabilidade atual desses grupos.
- Crítica à Proteção Estatal: A defesa contra "dependência estatal" reflete a ideia de que políticas de proteção (como demarcação de terras) são prejudiciais, quando, na realidade, são necessárias para garantir sobrevivência e dignidade.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- A (Políticas Públicas): O autor é contra essas políticas, mas a questão pede a análise da perspectiva dele. A opção C explica o porquê dessa oposição (visão individualista).
- B e E (Valorização Cultural): O autor é cético quanto à preservação cultural ("parques temáticos"), então não defende a valorização desconectada da cidadania nem a preservação exclusiva.
- D (Autonomia): Ele critica as reservas, o que indica oposição à autonomia territorial garantida pelo Estado, não defesa dela.
Em resumo, o texto exemplifica uma visão de cidadania universalista que falha ao não reconhecer as diferenças históricas e sociais de grupos marginalizados.