Alternativa E - O negro livre permaneceu à margem da sociedade, que privilegiava os brancos, e continuou sujeito ao preconceito e alocado em ocupações mal remuneradas.
A questão aborda o período pós-abolição da escravatura no Brasil (Lei Áurea, 1888) e a realidade social dos negros libertos. Historicamente, a abolição ocorreu sem políticas públicas de inclusão, gerando uma situação de exclusão sistemática para a população negra recém-liberta.
Análise das Alternativas
Para compreender a resposta correta, precisamos avaliar cada alternativa com base nos fatos históricos:
- Alternativa A (Incorreta): A abolição não desestruturou o sistema agrário. Pelo contrário, a estrutura fundiária permaneceu concentrada nas mãos de grandes proprietários, que passaram a utilizar mão de obra assalada (muitas vezes imigrantes europeus) ou manteram relações precárias com a mão de obra local.
- Alternativa B (Incorreta): As Sociedades Libertadoras focavam na luta pela libertação imediata dos escravizados, seja através de pressão política ou compra de alforrias. Elas não tinham como objetivo principal a integração econômica ou laboral desses indivíduos após a liberdade.
- Alternativa C (Incorreta): Não houve distribuição de terras para os ex-escravizados. Ao contrário, muitos foram empurrados para favelas ou periferias urbanas, sem acesso à propriedade rural, o que dificultava sua autonomia econômica.
- Alternativa D (Incorreta): O racismo estava profundamente enraizado na sociedade brasileira. A luta abolicionista enfrentou forte resistência justamente devido aos valores racistas vigentes entre elites e grande parte da população.
- Alternativa E (Correta): Esta alternativa descreve fielmente o cenário pós-abolição. Os negros livres foram deixados à própria sorte ("abolição sem libertação"), mantendo-se em posições sociais subalternas, exercendo funções braçais mal remuneradas e sofrendo discriminação racial institucionalizada e social.
Conclusão
A alternativa E é a correta porque reflete a realidade histórica conhecida como "Abolição sem Liberdade". Após 1888, o Estado brasileiro não assumiu responsabilidade pela cidadania plena dos ex-escravizados, resultando em marginalização social e econômica que perdura por gerações.