História do Brasil Múltipla Escolha

Ô ô, com tanto pau no mato Embaúba* é coroné Com tanto pau no mato, ê ê Com tanto pau no mato Embaúba é coroné *Embaúba: árvore comum e inútil por ser podre por dentro, segundo o historiador Stanley Stein. STEIN, S. J. Vassouras: um município brasileiro de café, 1850-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 (adaptado). Os versos fazem parte de um jongo, gênero poético-musical cantado por escravos e seus descendentes no Brasil no século XIX, e procuram expressar a

Ô ô, com tanto pau no mato
Embaúba* é coroné
Com tanto pau no mato, ê ê
Com tanto pau no mato
Embaúba é coroné
*Embaúba: árvore comum e inútil por ser podre por dentro, segundo o historiador Stanley Stein.
STEIN, S. J. Vassouras: um município brasileiro de café, 1850-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 (adaptado).
Os versos fazem parte de um jongo, gênero poético-musical cantado por escravos e seus descendentes no Brasil no século XIX, e procuram expressar a

  1. exploração rural.
  2. bravura senhorial.
  3. resistência cultural.
  4. violência escravista.
  5. ideologia paternalista.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Resistência cultural

O texto apresenta trechos de um jongo, uma manifestação cultural de origem africana muito forte entre os escravizados no Brasil do século XIX. Para entender a resposta correta, precisamos analisar o contexto histórico e o significado da letra.

Análise do Texto e Contexto Histórico:

  • O que é o Jongo? É um gênero artístico (música e dança) trazido pelos povos africanos trazidos como escravos. Ele servia para manter laços comunitários, comunicar mensagens codificadas e preservar tradições.
  • A Crítica na Letra: Os versos chamam o "coronel" (proprietário da terra) de "Embaúba", descrito no rodapé como uma árvore "inútil" e "podre por dentro". Isso é uma forma de sátira e deboche contra a figura do opressor.
  • Resistência Cultural: Ao ridicularizar o senhor de engenho através da arte, os escravizados não aceitavam passivamente sua dominação. Essa expressão artística permitia que eles criticassem o poder estabelecido, mantivessem sua identidade e encontrassem alívio psicológico frente à escravidão.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • (A) Exploração rural: Embora o cenário seja rural (café), o foco da letra não é descrever o trabalho agrícola, mas sim atacar a pessoa do dono.
  • (B) Bravura senhorial: O verso faz exatamente o oposto, diminuindo a autoridade e a dignidade do senhor.
  • (D) Violência escravista: O texto mostra uma forma de luta simbólica e cultural, não relata um ato físico de violência ou punição.
  • (E) Ideologia paternalista: O paternalismo sugeriria que o senhor cuidava dos escravos como família. Ao chamar o senhor de "podre", a música nega essa ideia de bondade.

Conclusão:

A utilização da arte para subverter a hierarquia social e zombar do opressor é uma característica marcante da resistência cultural praticada pela população negra durante o período colonial e imperial.

Alternativa C.

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