História do Brasil Múltipla Escolha

Passemos ainda a considerar por alguns momentos o perigo em que estivemos de ver as nossas espozas e filhos mortos desapiedadamente por barbaros Africanos, se hum accidente feliz não estorvasse a execução de hum intento tão cruel. Isto bem meditado nos deve assaz horrorizar para que não sejamos tão frouxos e descuidados como até agora temos sido, em tomar a este respeito as medidas mais eficazes, para que outro igual rompimento não nos apanhe de improviso. Parece que as mais óbvias e inmediatas que se devem tomar, he estabellecer primeiramente huma Policia activa e vigilante, que observe com cuidado todos os passos que os Africanos derem que pareção encaminhar-se a conjurações contra a nossa existencia, para que a tempo se previnão, empregando para esse fim todos os meios que mais convenientes forem para se descubrirem tenções tão pavorosas; segundo, termos huma força armada suficiente, que pela sua disciplina, gente escolhida de que se compozer, nos inspire confiança, e aos escravos infunda terror, e quando nos seja preciso possa rebater qualquer assalto que da parte deles nos possa sobrevir: mas estas providencias que lembramos, menos eficazes se tornarão se continuarmos a tolerar a introdução de novos escravos, porque, se a afoiteza e ouzadia que tiveram os Africanos de accommuetterem pela primeira vez as nossas guardas e quarteis, proveio de se considerarem em avultado numero, como he que permittiremos que elles se reforcem com mais recrutamento? Que diriamos de hum General que sitiando huma Praça para ganhal-a, deixasse entrar-lhe forças e provimentos? Diriamos que elle estava comprado, ou que era hum louco que obrava inconsequentemente. Por isso cumpre á nossa Assembléa Provincial, prover os meios que lhe parecer mais accommodados a fazer exequível a Lei, que prohibe a entrada de novos escravos, tomando em muita consideração este objeto, não só como muito essencial á nossa segurança, mas muito necessário para que não se afaste de nós a entrada de trabalhadores livres, que são os únicos que podem cooperar para o progresso, e melhoramento da nossa indústria, opulência, e civilização.

Passemos ainda a considerar por alguns momentos o perigo em que estivemos de ver as nossas espozas e filhos mortos desapiedadamente por barbaros Africanos, se hum accidente feliz não estorvasse a execução de hum intento tão cruel. Isto bem meditado nos deve assaz horrorizar para que não sejamos tão frouxos e descuidados como até agora temos sido, em tomar a este respeito as medidas mais eficazes, para que outro igual rompimento não nos apanhe de improviso. Parece que as mais óbvias e inmediatas que se devem tomar, he estabellecer primeiramente huma Policia activa e vigilante, que observe com cuidado todos os passos que os Africanos derem que pareção encaminhar-se a conjurações contra a nossa existencia, para que a tempo se previnão, empregando para esse fim todos os meios que mais convenientes forem para se descubrirem tenções tão pavorosas; segundo, termos huma força armada suficiente, que pela sua disciplina, gente escolhida de que se compozer, nos inspire confiança, e aos escravos infunda terror, e quando nos seja preciso possa rebater qualquer assalto que da parte deles nos possa sobrevir: mas estas providencias que lembramos, menos eficazes se tornarão se continuarmos a tolerar a introdução de novos escravos, porque, se a afoiteza e ouzadia que tiveram os Africanos de accommuetterem pela primeira vez as nossas guardas e quarteis, proveio de se considerarem em avultado numero, como he que permittiremos que elles se reforcem com mais recrutamento? Que diriamos de hum General que sitiando huma Praça para ganhal-a, deixasse entrar-lhe forças e provimentos? Diriamos que elle estava comprado, ou que era hum louco que obrava inconsequentemente.
Por isso cumpre á nossa Assembléa Provincial, prover os meios que lhe parecer mais accommodados a fazer exequível a Lei, que prohibe a entrada de novos escravos, tomando em muita consideração este objeto, não só como muito essencial á nossa segurança, mas muito necessário para que não se afaste de nós a entrada de trabalhadores livres, que são os únicos que podem cooperar para o progresso, e melhoramento da nossa indústria, opulência, e civilização.

  1. colaboram com a hipótese de que a Revolta dos Malês reforçou o haitianismo e as práticas de controle e repressão social sobre as populações negras.
  2. permitem perceber que as interpretações do passado estão sujeitas aos interesses e contextos daqueles que as produzem.
  3. apresentam, de forma diversa, a revolta de escravizados muçulmanos ocorrida na Bahia em janeiro de 1835.
  4. abordam o fim do tráfico de escravizados com base nos princípios do Iluminismo e do direito das pessoas negras.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Análise da Questão de História do Brasil

Introdução

O texto apresentado é um documento histórico do século XIX que revela as preocupações da elite provincial brasileira após um levante de escravizados. Para responder corretamente, é necessário compreender tanto o contexto histórico quanto a natureza da análise de fontes primárias.

Desenvolvimento

Contexto do Documento:

ElementoIdentificação
PeríodoDécada de 1830-1840
LocalProvíncia da Bahia
Evento ReferidoRevolta dos Malês (1835)
AutoriaElite branca/provincial
TomMedo, justificativa para repressão

Análise das Alternativas:

(A) Menciona "haitianismo" - referência à influência da Revolução Haitiana. Embora houvesse receio de contagio revolucionário entre escravizados, o termo específico não aparece no texto. Parcialmente correto, mas impreciso.

(B) Refere-se à historiografia: como as interpretações do passado refletem os interesses de quem as produz. O documento claramente mostra a perspectiva da elite escravocrata justificando medidas repressivas.

(C) Fala em plural "documentos" quando apenas um texto foi fornecido. Além disso, descreve a revolta, enquanto o texto fala sobre as consequências e medidas pós-revolta.

(D) Menciona "Iluminismo" e "direitos das pessoas negras". O texto trata africanos como "barbaros", sem qualquer menção a direitos humanos. Claramente incorreta.

Análise

  • Alternativa B é a mais adequada porque:
  • Reconhece que fontes históricas carregam viéses de seus autores
  • O texto demonstra como a elite justificava repressão sob pretexto de segurança
  • Ensina metodologia de análise documental: identificar interesses por trás do discurso
  • Não inventa informações não presentes no texto
  • Por que as outras são menos adequadas:
  • A: Introduz conceito não explícito (haitianismo)
  • C: Plural incorreto + foco diferente (revolta vs. consequências)
  • D: Contradiz totalmente o conteúdo do texto

Conclusão

Alternativa B

Esta questão trabalha uma competência essencial em História: compreender que fontes primárias não são neutras. Elas revelam muito sobre quem as produziu, quais eram seus temores, interesses e objetivos. No caso, o documento mostra como elites brasileiras usavam o medo da violência para justificar maior controle sobre populações negras, ao mesmo tempo em que defendiam restrições ao tráfico como medida de segurança (não por princípios humanitários).

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