Alternativa D - A necessidade inglesa de aumentar o número de consumidores
A questão aborda um dos temas clássicos da história do Brasil e das relações internacionais no século XIX: o abolicionismo inglês e seus interesses econômicos.
O texto deixa claro que não se tratava apenas de motivações humanitárias, mas sim de interesses econômicos importantes. Para entender isso, é necessário analisar o contexto da Revolução Industrial na Inglaterra.
Desenvolvimento
Com a consolidação da Revolução Industrial, a Inglaterra passou a produzir grandes quantidades de bens manufaturados. Para vender esses produtos, ela precisava de mercados consumidores fora de suas fronteiras.
Na época, o Brasil mantinha uma economia escravista, baseada na produção de commodities agrícolas (como açúcar e café) para exportação. O sistema escravista impedia a formação de um mercado interno consumidor, pois:
- Os escravizados não recebiam salários;
- Sem salários, não havia poder de compra para adquirir produtos industrializados;
- A elite agrária preferia importar manufaturados ou manter o status quo.
Portanto, a Inglaterra pressionou pelo fim do tráfico e da escravidão para transformar a sociedade brasileira em uma sociedade de trabalho assalariado. Com trabalhadores assalariados, haveria consumo de produtos industriais ingleses.
Análise das Alternativas
- A doutrina religiosa: Embora houvesse pressão moral e religiosa, o enunciado descarta explicitamente "razões puramente humanitárias".
- A posição contra a colonização portuguesa: Não era o foco central da política britânica no século XIX em relação ao Brasil específico.
- A migração inglesa: Não houve um fluxo migratório significativo que justificasse essa política externa.
- A necessidade de consumidores: Corresponde exatamente à lógica capitalista industrial da Inglaterra vitoriana, que buscava novos mercados para escoar sua produção.
Conclusão
A alternativa correta é a D, pois reflete a estratégia econômica britânica de converter ex-colônias produtoras de matéria-prima em mercados consumidores de seus produtos industrializados, facilitada pela transição do trabalho escravo para o livre.