História do Brasil Múltipla Escolha

Rosa Pinheira, preta forra que vive de sua agência, assistente neste arraial, natural da Costa da Mina, de idade de quarenta anos, pouco mais ou menos, testemunha a quem o reverendo doutor vigário-geral deferiu o juramento dos Santos Evangelhos que no livro deles pôs sua mão direita sob cargo do qual lhe interrogou dissesse a verdade do que soubesse e perguntado lhe fosse; e o prometeu fazer [assim]; e dos costumes disse nada. E perguntada ela testemunha pelo conteúdo no sumário retro disse que sabia que nas vizinhanças deste arraial havia uma casa nas cabeceiras de um corgo que deságua no Corgo Rico a qual era de uma preta cujo nome ignora, o qual podia declarar Benta Teodora de Jesus, moradora na rua de Goiazes, na qual casa todas as noites de sábados se ajuntam vários negros e negras forros e cativos em um folguedo. [...] E nessa ocasião se ajuntaram grande quantidade de negros e negras forros e cativos e os achou dançando na mesma casa ao som de um tambor [e] tabaque em que faziam várias macaquices e movimentos com algumas palavras que ela não entendia por falarem na sua língua de Courá [por gíria].

Rosa Pinheira, preta forra que vive de sua agência, assistente neste arraial, natural da Costa da Mina, de idade de quarenta anos, pouco mais ou menos, testemunha a quem o reverendo doutor vigário-geral deferiu o juramento dos Santos Evangelhos que no livro deles pôs sua mão direita sob cargo do qual lhe interrogou dissesse a verdade do que soubesse e perguntado lhe fosse; e o prometeu fazer [assim]; e dos costumes disse nada. E perguntada ela testemunha pelo conteúdo no sumário retro disse que sabia que nas vizinhanças deste arraial havia uma casa nas cabeceiras de um corgo que deságua no Corgo Rico a qual era de uma preta cujo nome ignora, o qual podia declarar Benta Teodora de Jesus, moradora na rua de Goiazes, na qual casa todas as noites de sábados se ajuntam vários negros e negras forros e cativos em um folguedo. [...] E nessa ocasião se ajuntaram grande quantidade de negros e negras forros e cativos e os achou dançando na mesma casa ao som de um tambor [e] tabaque em que faziam várias macaquices e movimentos com algumas palavras que ela não entendia por falarem na sua língua de Courá [por gíria].

  1. Como se trata de um documento oficial, sua inerente neutralidade garante a veracidade dos fatos que apresenta.
  2. A Costa da Mina foi um dos principais pontos da diáspora de escravizados e de procedência de religiosidades para o Brasil.
  3. Trata-se do depoimento da negra forra Rosa Pinheira, no qual é descrita a realização de um culto religioso.
  4. No Brasil, as delações eram fundamentais para a identificação das heresias e, por isso, largamente incentivadas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B

O texto apresentado é um trecho de um registro eclesiástico ou judiciário do período colonial brasileiro, especificamente relacionado aos processos da Inquisição em Minas Gerais. O documento registra o depoimento de Rosa Pinheira, uma mulher negra liberta, sobre reuniões realizadas por negros livres e escravizados.

Análise do Documento

  • Natureza do Texto: Trata-se de uma depoimento judicial ("juramento dos Santos Evangelhos"), onde uma testemunha relata atividades suspeitas às autoridades religiosas.
  • Conteúdo: Descreve encontros com música ("tambor"), dança, estados de transe ("fingia morta") e profecias, elementos característicos das religiões de matriz africana.
  • Origem da Testemunha: Rosa é identificada como natural da Costa da Mina, região da África Ocidental.

Por que a Alternativa B está correta?

A alternativa B conecta os dados específicos do texto com o contexto histórico amplo da escravidão no Brasil.

  • Costa da Mina: Foi uma das principais rotas de saída de africanos escravizados para o Brasil, especialmente para as regiões de Minas Gerais e Bahia.
  • Transmissão Cultural: Os povos dessa região trouxeram consigo suas crenças, línguas (como a citada "língua de Courá") e práticas religiosas, que se mantiveram vivas através da resistência cultural.
  • Contextualização: O texto serve como evidência histórica dessa transferência de religiosidades, tornando a afirmação sobre a origem das culturas africanas no Brasil diretamente sustentada pelo documento.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • (A) Neutralidade: Documentos oficiais coloniais, especialmente da Inquisição, não eram neutros. Eles refletiam a visão da Igreja e do Estado, muitas vezes estigmatizando práticas africanas como "heresia" ou "magia", distorcendo a realidade para fins de controle.
  • (C) Descrição do Culto: Embora o texto descreva rituais religiosos, essa alternativa é considerada menos abrangente que a B. Em questões de história, busca-se geralmente a síntese do significado histórico (origem das culturas) em vez da mera descrição do conteúdo. Além disso, a perspectiva do documento é a de um "crime" investigado, enquanto "culto religioso" é uma interpretação historiográfica moderna.
  • (D) Delações: Embora existissem mecanismos de denúncia, afirmar que eram "largamente incentivadas" como política sistemática é uma generalização forte. O foco do texto é a prática religiosa e a origem dos participantes, não o mecanismo de delação em si.

Conclusão

O documento evidencia a presença de comunidades negras organizadas e a manutenção de tradições africanas no Brasil colonial. A menção à Costa da Mina é o elemento chave que permite relacionar o caso específico com a grande diáspora africana e a formação das religiões afro-brasileiras, confirmando a Alternativa B.

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