Medicina Múltipla Escolha

Erica, 42 anos, diabética e hipertenso bem controlada há 2 anos, em uso de anticoncepcional oral contínuo, assintomática, traz exames de rotina: colesterol=230mg/dl; HDL colesterol= 31mg/dl; triglicerídios= 125 mg/dl; glicemia de jejum= 102 mg/dl; TSH= 1,5 UI/mL; HA1C=6,4; ácido úrico= 4,5mg/dl; vitamina D= 30 ng/mL. Qual atitude medicamentosa seria mais adequada nesta consulta?

Erica, 42 anos, diabética e hipertenso bem controlada há 2 anos, em uso de anticoncepcional oral contínuo, assintomática, traz exames de rotina: colesterol=230mg/dl; HDL colesterol= 31mg/dl; triglicerídios= 125 mg/dl; glicemia de jejum= 102 mg/dl; TSH= 1,5 UI/mL; HA1C=6,4; ácido úrico= 4,5mg/dl; vitamina D= 30 ng/mL. Qual atitude medicamentosa seria mais adequada nesta consulta?

  1. Considerar terapia com estatina de intensidade alta para obter níveis de colesterol LDL < 70 mg/d.
  2. Considerar terapia com estatina de intensidade moderada para obter níveis de colesterol LDL < 100 mg/dL.
  3. Considerar terapia com estatina de intensidade alta, associada a ezetimiba para obter níveis de colesterol LDL < 50 mg/dL.
  4. Considerar tratamento combinado com estatina de intensidade alta intensidade, ezetimiba e fenofibrato também visando elevação do HDL e diminuição do risco CV.
  5. Considerar terapia com ômega 3 [ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA)] evitando, no início, o uso da estatina que pode aumentar discretamente o risco de descompensação do diabetes.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Análise da Questão

Esta questão aborda o manejo de dislipidemia em uma paciente com Diabetes Mellitus (DM) e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Para responder corretamente, é necessário classificar o risco cardiovascular da paciente de acordo com as diretrizes atuais (como as da Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC).

1. Classificação do Risco Cardiovascular

A paciente possui dois fatores de risco majoritários simultaneamente:

  • Diabetes Mellitus (diagnóstico confirmado).
  • Hipertensão Arterial.

De acordo com as diretrizes vigentes, a associação de Diabetes com Hipertensão classifica a paciente automaticamente como Risco Cardiovascular Muito Alto, independentemente da idade (desde que não haja contraindicações específicas).

2. Objetivos Terapêuticos (Metas de LDL)

Para pacientes em categoria de Risco Muito Alto, as recomendações atuais estabelecem metas rigorosas para o colesterol LDL ("colesterol ruim") para prevenir infarto e AVC.

  • Meta recomendada: LDL < 70 mg/dL (algumas diretrizes internacionais sugerem até < 55 mg/dL, mas < 70 mg/dL é o padrão amplamente aceito no Brasil para início de tratamento).

3. Conduta Medicamentosa

O tratamento de primeira linha para esta população é o uso de Estatinas de Alta Intensidade (ex: Atorvastatina 40-80 mg ou Rosuvastatina 20-40 mg). O objetivo é reduzir significativamente o LDL desde o início.


## Analise das Alternativas

  • Alternativa A (Correta): Propõe estatina de alta intensidade com meta de LDL < 70 mg/dL. Esta conduta alinha-se perfeitamente com as diretrizes para pacientes de Risco Muito Alto (DM + HAS).
  • Alternativa B (Selecionada na imagem): Sugere intensidade moderada e meta de LDL < 100 mg/dL. Embora tenha sido um padrão antigo, está considerada insuficiente para o perfil desta paciente, pois deixa o risco residual alto. A marcação na imagem indica uma resposta provavelmente equivocada ou baseada em diretrizes ultrapassadas.
  • Alternativa C: Propõe combinação imediata (estatina + ezetimiba) para meta < 50 mg/dL. A combinação é reservada para pacientes que não atingem a meta com a estatina sozinha ou em casos de hipercolesterolemia familiar grave. Não é o passo inicial padrão.
  • Alternativa D: Sugere adição de fibroato (fenofibrato). Os triglicerídeos da paciente estão normais (125 mg/dL). Fibratos não reduzem o risco cardiovascular quando os triglicerídeos não estão elevados e aumentam o risco de efeitos adversos musculares sem benefício claro neste cenário.
  • Alternativa E: Omega 3 não substitui a necessidade de controle do LDL com estatinas nesta classe de risco.

Conclusão

Apesar da imagem mostrar a alternativa B selecionada, a conduta médica baseada nas evidências científicas atuais aponta para a Alternativa A. A paciente requer controle rigoroso do LDL (< 70 mg/dL) utilizando medicamentos de alta potência para mitigar o alto risco de eventos cardiovasculares associado à sua condição.

Resposta Correta: Alternativa A

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