Medicina Múltipla Escolha

Gestante de 29 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina. Exames revelam pressão arterial de 150 x 95 mmHg em duas aferições em 4 horas de intervalo e proteinúria positiva em teste de fita urinária. Apresenta crescimento fetal adequado e sem queixas no momento. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico e a conduta, respectivamente, para essa paciente.

Gestante de 29 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina. Exames revelam pressão arterial de 150 x 95 mmHg em duas aferições em 4 horas de intervalo e proteinúria positiva em teste de fita urinária. Apresenta crescimento fetal adequado e sem queixas no momento. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico e a conduta, respectivamente, para essa paciente.

  1. Hipertensão gestacional: iniciar metildopa e agendar nova avaliação em 7 dias.
  2. Pré-eclâmpsia incipiente: repetir aferições da PA em 48 horas e seguir com pré-natal habitual.
  3. Hipertensão crônica: confirmar proteinúria com exames laboratoriais e aguardar evolução do quadro.
  4. Pré-eclâmpsia com sinais de deterioração clínica: iniciar sulfato de magnésio, anti-hipertensivo e indicar interrupção da gestação.
  5. Pré-eclâmpsia sem sinais de deterioração clínica: iniciar anti-hipertensivo, solicitar exames materno-fetais e manter vigilância ambulatorial.

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E - Pré-eclâmpsia sem sinais de deterioração clínica: iniciar anti-hipertensivo, solicitar exames materno-fetais e manter vigilância ambulatorial.

Fundamentação Clínica

A paciente apresenta um quadro clássico de Pré-eclâmpsia. Para confirmar esse diagnóstico, são necessários dois critérios principais em uma gestante após 20 semanas:

  1. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS): Pressão arterial \ge 140/90 mmHg.
  2. Proteinúria: Presença de proteínas na urina (confirmada pelo teste de fita urinária positivo).

Como a paciente possui ambos os sinais, descartamos hipertensão gestacional simples ou crônica sem sobreposição imediata. O fato de ela estar assintomática e ter pressão arterial abaixo dos limites graves (< 160/110 mmHg) classifica o caso como sem sinais de deterioração clínica (pré-eclâmpsia leve).

Conduta Recomendada

Em casos de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade antes das 37 semanas de gestação, a estratégia é a conduta expectante, visando prolongar a gestação até maior maturidade fetal, desde que mãe e feto estejam estáveis.

A conduta correta envolve:

  • Controle Pressórico: Iniciar tratamento anti-hipertensivo para evitar evolução para níveis severos (acima de 160/110 mmHg). Em geral, utiliza-se Metildopa como primeira linha.
  • Monitoramento: Solicitar exames materno-fetais (ultrassom, dopplervelocimetria, cardiotocografia) para avaliar o bem-estar fetal e o estado hemodinâmico da mãe.
  • Vigilância: Manter acompanhamento ambulatorial rigoroso, pois a internação não é obrigatória se não houver sinais de gravidade ou descontrole pressórico.

Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaMotivo do Erro
AClassifica como Hipertensão Gestacional. Isso só ocorre se não houver proteinúria. Como há proteína na urina, o diagnóstico muda para Pré-eclâmpsia.
BSugere apenas repetir aferição em 48h. Com a confirmação de proteinúria, já se estabelece o diagnóstico de pré-eclâmpsia, exigindo manejo ativo imediato, não apenas espera.
CSugere Hipertensão Crônica. Não há histórico prévio de hipertensão mencionado. Além disso, "aguardar evolução" é perigoso sem controle medicamentoso adequado.
DIndica interrupção da gestação e uso de sulfato de magnésio. Essas medidas são reservadas para casos graves (síndrome HELLP, eclampsia, PA \ge 160/110 ou sofrimento fetal agudo). Paciente estável pode ser mantida em casa sob vigilância.

Conclusão

A alternativa E é a única que acerta o diagnóstico (Pré-eclâmpsia) e propõe a conduta adequada para um caso estável e prematuro (32 semanas): controle medicamentoso, monitoramento e manutenção da vigilância ambulatorial.

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