Medicina Múltipla Escolha

Homem, 55 anos de idade, natural e procedente de São Paulo, procura PS com cefaleia há 3 semanas e piora nos últimos dias, tornando-se refratária a analgésicos. Sem outras comorbidades. TC de crânio: sem visualização de lesões expansivas. Líquido cefalorraquidiano: 350 células/mm3, predomínio de linfócitos. Glicose normal e ausência de bactérias na pesquisa direta. Quais são as principais hipóteses diagnósticas?

Homem, 55 anos de idade, natural e procedente de São Paulo, procura PS com cefaleia há 3 semanas e piora nos últimos dias, tornando-se refratária a analgésicos. Sem outras comorbidades. TC de crânio: sem visualização de lesões expansivas. Líquido cefalorraquidiano: 350 células/mm3, predomínio de linfócitos. Glicose normal e ausência de bactérias na pesquisa direta. Quais são as principais hipóteses diagnósticas?

  1. Tuberculose, paracoccidioidomicose, coccidioidomicose.
  2. Tuberculose, paracoccidioidomicose, esporotricose.
  3. Tuberculose, esporotricose, nocardiose.
  4. Tuberculose, criptococo, histoplasmose.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Tuberculose, paracoccidioidomicose, esporotricose

Análise da Questão

Esta questão aborda o diagnóstico diferencial de uma meningite subaguda ou crônica em um paciente adulto, exigindo integração entre dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos.

1. Síndrome Clínica e Laboratorial

O quadro sugere uma infecção do sistema nervoso central com evolução subaguda (3 semanas), caracterizada por:

  • Cefaleia refratária: Indica envolvimento meníngeo persistente.
  • Líquor (LCR):
  • Pleocitose linfocitária (350 células/mm³): Típico de processos virais, fúngicos ou tuberculosos (não bacterianos agudos).
  • Glicose normal: Este é um dado crucial. Na meningite tuberculosa clássica e na criptococose, a glicose costuma estar baixa (hipoglicorraquia). A glicose normal favorece diagnósticos como esporotricose, formas iniciais de outras micoses ou sífilis (embora não listada).
  • Sem bactérias: Descarta meningite bacteriana aguda comum.

2. Fator Epidemiológico (Região)

O paciente é natural e procedente de São Paulo. Isso restringe fortemente as hipóteses para micoses endêmicas desta região:

  • Paracoccidioidomicose: É a micose sistêmica mais prevalente no Brasil (endêmica em SP). Tem predileção por homens adultos (hormônio inibe crescimento fúngico em mulheres). É uma causa conhecida de meningite granulomatosa.
  • Esporotricose: Também é endêmica no Brasil (doença do jardineiro). Embora a disseminação ao SNC seja rara, quando ocorre, pode se apresentar como meningite.
  • Tuberculose: É uma das principais causas de meningite subaguda em todo o território nacional, independente da região específica.

3. Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • Alternativa A (Coccidioidomicose): O agente (Coccidioides) é endêmico principalmente no sudoeste dos EUA e partes da América Central/Sul, mas não é considerado endêmico clássico para São Paulo sem história de viagem prévia.
  • Alternativa C (Nocardiose): Geralmente causa abscessos cerebrais (lesões expansivas), o que foi negado na TC de crânio da questão.
  • Alternativa D (Criptococose/Histoplasmose): A criptococose frequentemente apresenta glicose reduzida no líquor. Além disso, a paracoccidioidomicose é muito mais prevalente que a histoplasmose em São Paulo.

Conclusão

A combinação de Menino Adulto + Região Sul/Sudeste (SP) + Meningite Subaguda + Glicose Normal aponta para um grupo de micoses endêmicas brasileiras e Tuberculose. A Alternativa B agrupa corretamente as três principais hipóteses fúngicas/bacterianas endêmicas e clinicamente compatíveis com os dados apresentados.

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