Medicina Múltipla Escolha

Homem, 62 anos, 60 Kg, portador de DPOC e diabetes, é admitido no pronto-socorro com febre, tosse purulenta e queda do estado geral. Evolui com pressão arterial de 80/50 mmHg mesmo após reposição volêmica (1.500 mL de cristalóide), taquicardia, extremidades frias e lactato sérico elevado. Foram coletadas culturas e obtido acesso venoso periférico. Qual a conduta imediata mais adequada?

Homem, 62 anos, 60 Kg, portador de DPOC e diabetes, é admitido no pronto-socorro com febre, tosse purulenta e queda do estado geral. Evolui com pressão arterial de 80/50 mmHg mesmo após reposição volêmica (1.500 mL de cristalóide), taquicardia, extremidades frias e lactato sérico elevado. Foram coletadas culturas e obtido acesso venoso periférico. Qual a conduta imediata mais adequada?

  1. Aguardar resultado de culturas e passagem de acesso venoso central, para só então iniciar antibióticos e vasopressor, respectivamente.
  2. Iniciar antibiótico e administrar mais 300ml de cristalóide para então pensar em iniciar noradrenalina.
  3. Administrar antibióticos de amplo espectro o mais breve possível e iniciar noradrenalina em acesso periférico.
  4. Indicar imediatamente corticoide EV em altas doses como terapia inicial isolada.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Administrar antibióticos de amplo espectro o mais breve possível e iniciar noradrenalina em acesso periférico.

Análise Clínica e Justificativa

O caso descreve um cenário clássico de Choque Séptico. O paciente apresenta sinais de infecção grave (pneumonia suspeita: febre, tosse purulenta) associados a hipoperfusão tecidual (lactato elevado, extremidades frias) e hipotensão refratária à reposição volêmica inicial.

Pontos Chave para Resolução:

  1. Tempo Ouro (Golden Hour): As diretrizes internacionais (como as Campanha Sobreviver à Sepse) determinam que os antibióticos devem ser administrados o mais cedo possível, idealmente dentro da primeira hora após o reconhecimento do quadro. Não se deve aguardar o resultado das culturas bacterianas para começar o tratamento.
  2. Reposição Volêmica vs. Vasoativos:
  • O protocolo inicial sugere 30 mL/kg de cristaloide nas primeiras 3 horas. No caso, o paciente tem 60 kg, logo o alvo seria ~1.800 mL. Ele já recebeu 1.500 mL e permanece hipotenso (80/50 mmHg).
  • Quando a hipotensão persiste após a reposição volêmica inicial, a conduta recomendada é iniciar vasopressores (Noradrenalina) para manter a Pressão Arterial Média \ge 65 mmHg.
  • Administrar mais volume (alternativa B) em um paciente que não respondeu ao volume inicial pode causar sobrecarga hídrica, especialmente considerando a idade (82 anos) e a DPOC.
  1. Acesso Venoso: Embora o acesso venoso central seja preferível para noradrenalina devido ao risco de necrose tecidual em extravasamento, em situações de instabilidade hemodinâmica extrema, inicia-se a droga pelo acesso periférico disponível para não perder tempo precioso, enquanto se prepara o acesso central.

Por que as outras estão incorretas?

  • A: Aguardar culturas atrasa o tratamento e aumenta a mortalidade. A passagem de acesso central também pode ser adiada brevemente se o periférico permitir a administração imediata da medicação essencial.
  • B: O paciente já passou pela fase de carga volêmica inicial sem resposta pressórica satisfatória. A prioridade agora é suporte circulatório com drogas vasoativas.
  • D: Corticoides (hidrocortisona) são indicados apenas se o paciente permanecer hipotenso apesar do uso de doses adequadas de vasopressores. Eles nunca devem ser usados como terapia inicial isolada.

Portanto, a conduta prioritária é tratar a infecção sistêmica imediatamente e corrigir a falência circulatoria com noradrenalina.

Tem outra questão para resolver?

Resolver agora com IA

Mais questões de Medicina

Ver mais Medicina resolvidas

Tem outra questão de Medicina?

Cole o enunciado, tire uma foto ou descreva o problema — a IA resolve com explicação completa em segundos.