Medicina Múltipla Escolha

Homem de 34 anos apresenta queixa de disfagia e odinofagia com piora progressiva. Comorbidades: infecção pelo HIV, com última medida de CD4 de 195 células/mm³. Ao exame físico, apresenta placas orais brancas coalescentes em língua e mucosa oral, possíveis de retirada com uma espátula, sem demais achados. Diante do caso clínico, deve-se, preferencialmente:

Homem de 34 anos apresenta queixa de disfagia e odinofagia com piora progressiva. Comorbidades: infecção pelo HIV, com última medida de CD4 de 195 células/mm³. Ao exame físico, apresenta placas orais brancas coalescentes em língua e mucosa oral, possíveis de retirada com uma espátula, sem demais achados. Diante do caso clínico, deve-se, preferencialmente:

  1. solicitar endoscopia digestiva alta para investigação etiológica do quadro disfágico
  2. iniciar tratamento empírico com fluconazol via oral
  3. iniciar tratamento empírico com nistatina tópica.
  4. iniciar tratamento empírico com aciclovir via oral.
  5. coleta amostra de biópsia para definir o agente etiológico

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - iniciar tratamento empírico com fluconazol via oral

Diagnóstico Clínico

O caso apresentado descreve um paciente soropositivo para o HIV com contagem de CD4 baixa (195 células/mm³, indicando imunossupressão grave) e sintomas clássicos de infecção fúngica invasiva.

Os sinais clínicos são:

  • Placas brancas na boca removíveis: Características da Candidíase Orofaringea ("sapinho").
  • Disfagia e Odinofagia: Sugerem que a infecção se estendeu para o esôfago (Candidíase Esofágica).

Em pacientes com HIV, a presença de candidíase oral associada a disfagia é altamente sugestiva de candidíase esofágica, sendo considerada uma doença definidora de AIDS.

Justificativa Terapêutica

O manejo padrão-ouro para suspeita de candidíase esofágica em pacientes com HIV envolve:

  1. Tratamento Sistêmico: Diferente da candidíase apenas oral, a forma esofágica exige medicamentos que atinjam concentrações terapêuticas nos tecidos profundos.
  • Fluconazol oral é o fármaco de primeira escolha devido à sua alta biodisponibilidade e eficácia comprovada.
  • Nistatina tópica (Opção C) atua apenas na superfície da mucosa oral e não penetra adequadamente no esôfago, sendo insuficiente para tratar a forma esofágica.
  1. Conduta Empírica: Devido à forte correlação clínica entre as lesões bucais visíveis e os sintomas digestivos, a maioria das diretrizes recomenda iniciar o tratamento antifúngico imediatamente sem necessidade de exames invasivos prévios.
  2. Endoscopia (Opção A): É reservada para casos onde há falha no tratamento empírico ou quando o diagnóstico é incerto (ausência de lesões orais típicas). Não é a primeira linha preferencial neste caso clássico.

Análise das Alternativas

AlternativaAçãoAvaliação
AEndoscopia digestiva altaIncorreta. Reservada para falha terapêutica ou diagnóstico duvidoso.
BFluconazol oralCorreta. Tratamento sistêmico de primeira linha para candidíase esofágica.
CNistatina tópicaIncorreta. Apenas para candidíase oral leve, não penetra no esôfago.
DAciclovir oralIncorreta. Antiviral usado para Herpes Simples, não para fungos.
EBiopsiaIncorreta. Invasiva e desnecessária como passo inicial diante de quadro clínico típico.

Conclusão

Diante da triade HIV + Disfagia + Candidíase Oral, o diagnóstico provável é Candidíase Esofágica. O tratamento deve ser iniciado de forma empírica e sistêmica com fluconazol.

Portanto, a alternativa correta é a B.

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