Medicina Múltipla Escolha

Homem de 48 anos, auxiliar de pedreiro, procura Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de dor lombar iniciada há 3 semanas, de instalação insidiosa, sem irradiação. Relata que a dor piora ao final do dia e melhora parcialmente com repouso e uso de paracetamol. Nega perda de peso, febre, traumas, incontinência ou fraqueza nos membros inferiores. Ao exame físico, apresenta dor à palpação paravertebral em região lombar, sem alterações neurológicas. Com base na história clínica e no exame físico, qual o próximo passo na condução desse caso?

Homem de 48 anos, auxiliar de pedreiro, procura Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de dor lombar iniciada há 3 semanas, de instalação insidiosa, sem irradiação. Relata que a dor piora ao final do dia e melhora parcialmente com repouso e uso de paracetamol. Nega perda de peso, febre, traumas, incontinência ou fraqueza nos membros inferiores. Ao exame físico, apresenta dor à palpação paravertebral em região lombar, sem alterações neurológicas. Com base na história clínica e no exame físico, qual o próximo passo na condução desse caso?

  1. Solicitar ressonância magnética da coluna lombar e encaminhar para a ortopedia.
  2. Solicitar radiografia lombar, prescrever corticoide oral e agendar o retorno após 10 dias.
  3. Orientar repouso, fornecer atestado de 7 dias e otimizar a analgesia com antidepressivo tricíclico.
  4. Explicar a natureza benigna, orientar analgesia e atividade física leve, com reavaliação em 4 a 6 semanas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Explicar a natureza benigna, orientar analgesia e atividade física leve, com reavaliação em 4 a 6 semanas.

Introdução

O caso clínico apresentado descreve um paciente com lombalgia inespecífica, caracterizada pela dor nas costas sem uma causa patológica identificável (como infecção, tumor ou síndrome da cauda equina). A abordagem correta segue as diretrizes de medicina baseada em evidências para atenção primária.

Análise

Para determinar a conduta adequada, devemos analisar os seguintes pontos fundamentais:

  • Ausência de Sinais de Alarme ("Red Flags"): O paciente nega perda de peso, febre, traumas recentes, incontinência ou déficits neurológicos. Isso torna altamente improvável uma causa grave (como neoplasia ou infecção), dispensando exames de imagem invasivos ou caros na fase inicial.
  • Fase Aguda/Subaguda: O quadro tem duração de 3 semanas. Na maioria dos casos de dor lombar mecânica, a resolução ocorre espontaneamente dentro de algumas semanas.
  • Conduta Não Farmacológica: O repouso absoluto é desencorajado pois pode levar à rigidez muscular e atrofia. O ideal é manter a atividade física leve e adaptar as tarefas diárias.
  • Uso de Exames: Radiografias e Ressonâncias Magnéticas não alteram o prognóstico na fase inicial e podem gerar achados incidentais que confundem o tratamento. Devem ser reservadas para casos persistentes (> 4-6 semanas) ou com sinais neurológicos focais.
  • Educação do Paciente: Explicar a natureza benigna do problema reduz o medo e a catastrofização, fatores que contribuem para a cronificação da dor.
CondutaIndicaçãoMotivo
Repouso prolongado❌ DesaconselhadoPiora a recuperação funcional
Antidepressivos❌ InicialmenteReservados para dor crônica refratária
Corticoides❌ RotinaEfeitos colaterais superam benefícios neste caso
Atividade + Educar✅ RecomendadoBase do tratamento conservador

Conclusão

A alternativa D é a correta porque alinha a prática médica com as recomendações atuais de evitar medicalização excessiva e exames desnecessários. A orientação sobre a natureza benigna, o uso de analgésicos simples (como o paracetamol mencionado) e a manutenção da atividade física constituem o padrão-ouro para o manejo inicial da lombalgia inespecífica.

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