Medicina Múltipla Escolha

Homem de 68 anos, previamente hipertenso e portador de doença coronariana, chega ao pronto atendimento com quadro súbito de palpitações intensas, tontura e rebaixamento do nível de consciência, com Escala de Coma de Glasgow de 6 Pontos, com pressão arterial de 62x34 mmHg, mas mantendo pulso palpável. Na monitorização cardíaca, observa-se o traçado abaixo: Qual deve ser a conduta imediata mais adequada para este paciente?

Homem de 68 anos, previamente hipertenso e portador de doença coronariana, chega ao pronto atendimento com quadro súbito de palpitações intensas, tontura e rebaixamento do nível de consciência, com Escala de Coma de Glasgow de 6 Pontos, com pressão arterial de 62x34 mmHg, mas mantendo pulso palpável. Na monitorização cardíaca, observa-se o traçado abaixo: Qual deve ser a conduta imediata mais adequada para este paciente?

  1. Proceder com intubação orotraqueal para estabilização antes de medidas específicas.
  2. Realizar cardioversão elétrica sincronizada imediata.
  3. Administrar amiodarona intravenosa como primeira intervenção.
  4. Realizar desfibrilação elétrica não sincronizada de forma imediata.
  5. Iniciar expansão volêmica para controle da pressão.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Realizar cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Análise Clínica e Conduta

O caso apresentado descreve um paciente com Taquicardia Instável. A identificação correta da instabilidade hemodinâmica é o ponto central para determinar a conduta adequada.

1. Identificação de Instabilidade

O paciente apresenta sinais clássicos de comprometimento da perfusão tecidual causada pela arritmia:

  • Hipotensão grave: Pressão arterial de $62 \times 34$ mmHg.
  • Alteração do nível de consciência: Escala de Coma de Glasgow (GCS) de 6 pontos.
  • Sintomas associados: Tontura intensa e palpações.

2. Protocolo ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia)

De acordo com as diretrizes internacionais (como as do American Heart Association):

  • Paciente Estável: Pode receber medicação antiarrítmica (ex: Amiodarona) ou bloqueadores de canal.
  • Paciente Instável: Requer Cardioversão Elétrica Sincronizada Imediata.

A prioridade é restaurar o ritmo sinusal para melhorar a perfusão cerebral e cardíaca imediatamente.

3. Diferença entre Cardioversão e Desfibrilação

É crucial distinguir os dois tipos de choque elétrico:

Tipo de ChoqueIndicadorModo
DesfibrilaçãoRitmo sem pulso (FV ou TV sem pulso)Não Sincronizado (choque imediato)
CardioversãoTaquicardia com pulso instávelSincronizada (evita fase vulnerável T)

No caso, como há pulso palpável, deve-se usar o modo sincronizado (alternativa B). O uso de desfibrilação não sincronizada (alternativa D) poderia precipitar uma fibrilação ventricular ao chocar sobre a onda T do complexo QRS.

4. Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A. Intubação antes das medidas: Embora o GCS baixo exija atenção à via aérea, não se deve atrasar a reperfusão crítica por procedimentos de intubação se o paciente estiver morrendo de arritmia. A sedação para a cardioversão geralmente requer proteção da via aérea, mas o foco principal é o choque.
  • C. Amiodarona intravenosa: É indicada para pacientes estáveis ou quando a cardioversão falha. Em paciente instável, medicamentos são muito lentos comparados ao choque elétrico.
  • E. Expansão volêmica: Não trata a causa raiz (arritmia). Pode até ser prejudicial em pacientes com doença coronariana prévia devido ao risco de sobrecarga cardíaca.

Conclusão

Diante de uma taquicardia com pulso associada a hipotensão e alteração do nível de consciência, a conduta de primeira linha é a cardioversão elétrica sincronizada.

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