Medicina Múltipla Escolha

Mulher, 20a, G1P1, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) em uso de pílula anticoncepcional e adaptada. Assistiu reportagem na TV sobre risco de trombose associada a uso de pílula. Antecedente familiar: pai com trombose em membro inferior. A conduta é:

Mulher, 20a, G1P1, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) em uso de pílula anticoncepcional e adaptada. Assistiu reportagem na TV sobre risco de trombose associada a uso de pílula. Antecedente familiar: pai com trombose em membro inferior. A conduta é:

  1. Suspender a medicação e reavaliar após pesquisa de mutação gênica.
  2. Substituir por progestágeno, devido ao risco familiar de trombose.
  3. Substituir por DIU de cobre ou hormonal, devido ao risco aumentado de trombose.
  4. Manter a medicação em uso e esclarecimento das dúvidas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Manter a medicação em uso e esclarecimento das dúvidas.

Fundamentação Clínica

A conduta adequada neste cenário baseia-se na avaliação de risco-benefício e no manejo da ansiedade induzida por informações midiáticas.

  1. Antecedente Familiar de Trombose:
  • Ter um parente de 1º grau (pai) com trombose venosa eleva o risco relativo da paciente, mas não é contraindicação absoluta para o uso de contraceptivos orais combinados (COCs), desde que não haja diagnóstico confirmado de trombofilia hereditária grave.
  • O risco absoluto permanece baixo em mulheres jovens sem outros fatores de risco (ex: tabagismo, obesidade, imobilização).
  1. Adaptação à Medicação:
  • A paciente está "adaptada", o que significa que já tolera bem os efeitos colaterais e o método é eficaz para ela.
  • Suspender ou trocar de método sem necessidade clínica estrita pode levar a falhas contraceptivas e retorno de sintomas indesejados.
  1. Esclarecimento (Educação em Saúde):
  • O medo da paciente foi desencadeado por uma reportagem na TV ("risco de trombose associada ao uso").
  • A conduta prioritária é esclarecer que o risco de trombose durante a puerpério (período pós-parto) ou na gravidez é significativamente maior do que o uso de pílulas anticoncepcionais.
  • Deve-se discutir se a troca é realmente necessária ou se a manutenção é segura, respeitando a autonomia da paciente após o entendimento.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A) Suspender e pesquisar mutação: A pesquisa de trombofilia não é rotina para todos os casos de história familiar. Apenas é indicada se o parente teve evento trombótico precoce (geralmente < 50 anos) ou se houver múltiplos casos na família. Suspender abruptamente expõe a paciente à gravidez acidental.
  • B) Substituir por progestágeno: Embora seja uma opção segura, a troca não é obrigatória apenas pelo histórico do pai. Seria uma conduta excessiva sem confirmação de alto risco individual.
  • C) Substituir por DIU: Assim como a alternativa B, o DIU é uma ótima opção, mas a mudança drástica não é a primeira conduta antes de tentar esclarecer as dúvidas e avaliar o risco real. O DIU hormonal também contém progestágeno sistêmico (embora em doses baixas), mantendo algum risco teórico (embora muito menor que o estrogênio).

Portanto, a melhor estratégia é manter o método seguro e eficaz enquanto se realiza o acolhimento e a educação sanitária (Alternativa D).

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