Medicina Múltipla Escolha

Mulher, 46 anos, é atendida em Unidade Básica de Saúde com história de dispneia progressiva há 8 meses, no momento aos médios esforços. Antecedente pessoal: febre reumática. Exame físico: FC = 88 bpm, PA = 116 X 68 mmHg. Pulmões: murmúrio vesicular presente e simétrico, estertores crepitantes nas bases. Coração: ritmo cardíaco regular e sopro. O achado ecocardiográfico esperado é:

Mulher, 46 anos, é atendida em Unidade Básica de Saúde com história de dispneia progressiva há 8 meses, no momento aos médios esforços. Antecedente pessoal: febre reumática. Exame físico: FC = 88 bpm, PA = 116 X 68 mmHg. Pulmões: murmúrio vesicular presente e simétrico, estertores crepitantes nas bases. Coração: ritmo cardíaco regular e sopro. O achado ecocardiográfico esperado é:

  1. Hipertrofia excêntrica do ventrículo esquerdo.
  2. Hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo.
  3. Dilatação atrial esquerda.
  4. Dilatação atrial direita.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Dilatação atrial esquerda

Análise do Caso Clínico

A questão apresenta um caso clássico de Cardiopatia Reumática, especificamente focando nas consequências valvares da Febre Reumática. Para responder corretamente, precisamos interpretar o fonocardiograma apresentado no enunciado.

Interpretação do Fonocardiograma

O gráfico mostra a atividade acústica do coração ao longo do tempo:

  • As linhas verticais grossas representam as 1ª e 2ª BULHAS (S1 e S2).
  • Entre a 2ª Bulha e a próxima 1ª Bulha, observa-se um som vibratório. Como ocorre durante o período entre o fechamento das válvulas semilunares (S2) e o início da contração ventricular (S1), este é um sopro DIASTÓLICO.
  • A forma do sopro é CRESCENTE: ele começa suave logo após a S2 e aumenta de intensidade até atingir a S1 seguinte.
\text{Sopro Diastólico Crescente} \Rightarrow \text{Estenose Mitral}

Este padrão é patognomônico (típico) da Estenose Mitral. O sangue tenta passar pela válvula mitral estreitada, gerando turbulência que aumenta conforme a contração atrial (sístole atrial) impulsiona mais sangue para tentar vencer a obstrução pouco antes da abertura da válvula.

Fisiopatologia e Achados Ecocardiográficos

Na Estenose Mitral, a obstrução ao fluxo sanguíneo do Átrio Esquerdo (AE) para o Ventrículo Esquerdo (VE) gera um quadro específico:

  • Sobrecarga de Pressão: O átrio esquerdo precisa fazer mais força para empurrar o sangue através da válvula estreitada.
  • Consequência Imediata: O aumento da pressão intracavitária leva inevitavelmente à dilatação (aumento de tamanho) do átrio esquerdo.
  • Efeito no Ventrículo Esquerdo: O VE recebe menos sangue do que o normal (preenchimento prejudicado), podendo inclusive apresentar hipotrofia ou tamanho reduzido, e não hipertrofia.

Resumo das Alternativas

AlternativaAchadoCorrelação com o Caso
AHipertrofia excêntrica do VETípica de Insuficiência Mitral (sobrecarga de volume). Incorreto.
BHipertrofia concêntrica do VETípica de Estenose Aórtica ou Hipertensão (sobrecarga de pressão). Incorreto.
CDilatação atrial esquerdaConsequência direta da Estenose Mitral. Correto.
DDilatação atrial direitaOcorre apenas se houver comprometimento grave com hipertensão pulmonar tardia. Não é o achado primário esperado.

Conclusão

O antecedente de febre reumática, associado ao sopro diastólico crescendo descrito no fonocardiograma, confirma o diagnóstico de Estenose Mitral. A alteração estrutural mais esperada e precoce no ecocardiograma decorrente dessa lesão é a dilatação do átrio esquerdo devido à sobrecarga de pressão.

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