Medicina Múltipla Escolha

Mulher, 56 anos, foi submetida a transplante renal, por doença hipertensiva, há 20 dias. Está em imunossupressão com micofenolato, tacrolimus e metilprednisolona; antibioticoprofilaxia com sulfametoxazol e trimetoprima. Pode-se afirmar que, nesse período após transplante renal, a infecção mais comum é:

Mulher, 56 anos, foi submetida a transplante renal, por doença hipertensiva, há 20 dias. Está em imunossupressão com micofenolato, tacrolimus e metilprednisolona; antibioticoprofilaxia com sulfametoxazol e trimetoprima. Pode-se afirmar que, nesse período após transplante renal, a infecção mais comum é:

  1. urinária por bactéria
  2. pneumonia por Aspergillus sp.
  3. reativação de citomegalovírus
  4. pneumonia por Pneumocystis jirovecii

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - urinária por bactéria

Introdução à Infecção em Transplante Renal

A cronologia das infecções após um transplante de órgão sólido é fundamental para o diagnóstico e tratamento. O período pós-operatório é dividido classicamente em três fases baseadas no tempo de imunossupressão e risco infeccioso:

  1. Menos de 1 mês: Infecções relacionadas ao procedimento cirúrgico ou hospitalares (nosocomiais). Predominam bactérias.
  2. De 1 a 6 meses: Fase crítica de imunossupressão máxima. Predominam microrganismos oportunistas (vírus como CMV, fungos, protozoários).
  3. Após 6 meses: Infecções comunitárias, semelhantes às da população geral, salvo se houver rejeição crônica ou uso intenso de imunossupressores.

Desenvolvimento do Caso

No caso apresentado, a paciente está há 20 dias do transplante. Isso a enquadra na primeira fase (primeiro mês).

  • Infecções bacterianas: São as mais frequentes neste estágio inicial. A infecção do trato urinário (ITU) é particularmente comum em transplantes renais devido à manipulação cirúrgica dos ureteres, presença de sondas e cateteres durante o pós-operatório imediato.
  • Profilaxia: A paciente já recebe sulfametoxazol e trimetoprima (Bactrim), que é a profilaxia padrão para prevenir a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (Opção D). Isso torna a opção D menos provável de ser a "mais comum" comparada a uma infecção bacteriana não coberta por essa medicação específica.
  • CMV (Citomegalovírus): Embora seja um patógeno muito importante, sua incidência pico geralmente ocorre entre 1 a 6 meses após o transplante (Opção C).
  • Fungos (Aspergillus): A pneumonia fúngica invasiva é possível, mas estatisticamente menos frequente que as infecções bacterianas simples no primeiro mês (Opção B).

Análise Detalhada

Período Pós-TransplanteTipo de Infecção Mais ComumPrincipais Agentes
< 1 MêsInfecciosas BacterianasUTI, Pneumonia, Sítio Cirúrgico
1 - 6 MesesOportunistasCMV, Pneumocystis, Fungos (Aspergillus)
> 6 MesesComunitárias / OportunistasPneumonia, Tuberculose, Fungos endêmicos
  • Opção A (Correta): Reflete a realidade epidemiológica do primeiro mês, onde complicações urológicas e bacterianas predominam.
  • Opção B (Incorreta): Aspergilose é mais rara e costuma ocorrer em períodos mais tardios ou em pacientes com fatores de risco específicos além da imunossupressão básica.
  • Opção C (Incorreta): O CMV tem pico de incidência entre o 1º e 6º mês.
  • Opção D (Incorreta): A paciente está em uso de profilaxia (sulfametoxazol/trimetoprima), reduzindo drasticamente a chance desta infecção ser a mais comum.

Conclusão

Considerando o tempo decorrido (20 dias) e a fisiopatologia do transplante renal, a infecção bacteriana do trato urinário é a ocorrência mais prevalente nesta fase inicial.

Portanto, a resposta correta é a Alternativa A.

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