Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 45 anos, sem comorbidades, é submetida a uma colecistectomia videolaparoscópica eletiva devido a colecistopatia crônica calculosa. O procedimento transcorre sem complicações, durando cerca de 40 minutos. No pós-operatório imediato, a paciente se hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 82 bpm e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. Nega náusea e relato de dor leve em região abdominal. De acordo com os protocolos multimodais de recuperação pós-operatória (ERAS e ACERTO), qual é a conduta adequada em relação à alimentação dessa paciente?

Mulher de 45 anos, sem comorbidades, é submetida a uma colecistectomia videolaparoscópica eletiva devido a colecistopatia crônica calculosa. O procedimento transcorre sem complicações, durando cerca de 40 minutos. No pós-operatório imediato, a paciente se hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 82 bpm e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. Nega náusea e relato de dor leve em região abdominal. De acordo com os protocolos multimodais de recuperação pós-operatória (ERAS e ACERTO), qual é a conduta adequada em relação à alimentação dessa paciente?

  1. Início de dieta líquida oral após 6 horas do procedimento.
  2. Início imediato de dieta via oral, de acordo com sua vontade.
  3. Início de dieta via oral após 24 horas do procedimento.
  4. Início imediato de dieta via oral, de forma escalonada.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Início imediato de dieta via oral, de forma escalonada.

Introdução

Esta questão aborda os princípios dos protocolos de Recuperação Intensificada após Cirurgia (ERAS), aplicados a uma paciente submetida a colecistectomia videolaparoscópica simples. O foco principal é a reabilitação metabólica e funcional, visando reduzir o tempo de internação e as complicações.

Desenvolvimento

O protocolo ERAS baseia-se na eliminação de práticas pré e pós-operatórias desnecessárias que aumentam o estresse cirúrgico. No caso da alimentação, o paradigma mudou drasticamente nas últimas décadas:

  1. Eliminação do Jejum Prolongado: Antigamente, mantinha-se o paciente em jejum por 24 horas ou até a primeira evacuação. Hoje, sabe-se que o jejum prolongado induz catabolismo e resistência à insulina.
  2. Reintrodução Precoce: Para colecistectomias laparoscópicas sem complicações, a dieta oral deve ser iniciada imediatamente após a recuperação da consciência e ausência de náuseas/vômitos.
  3. Progressão Dietética: Embora a dieta possa ser iniciada logo, a conduta segura e recomendada é fazer essa introdução de forma escalonada (progressiva):
  • Inicia-se com líquidos claros.
  • Avança para líquidos completos/sucos.
  • Progressão para dieta pastosa/sólida, conforme a tolerância da paciente.

Análise das Alternativas

OpçãoAvaliaçãoJustificativa
A❌ IncorretaEsperar 6 horas é obsoleto. O protocolo moderno incentiva o início logo que a paciente desperte e tolere.
B⚠️ Parcial"Conforme vontade" pode ser arriscado se a paciente ingerir alimentos pesados imediatamente. A progressão controlada é preferível.
C❌ IncorretaEsperar 24 horas viola totalmente os princípios do ERAS e aumenta o risco de complicações infecciosas e tromboembólicas.
DCorretaCombina a precocidade (início imediato) com a segurança clínica (forma escalonada), garantindo tolerância gástrica.

Conclusão

A conduta ideal nos protocolos ERAS e ACERTO para esta paciente é permitir a entrada de alimentos o mais rápido possível, respeitando a evolução natural da digestão através de uma dieta escalonada, evitando o jejum prolongado sem expor a paciente a riscos desnecessários de vômito ou distensão abdominal.

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