Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 52 anos chega ao acolhimento de Unidade Básica de Saúde (UBS), muito chorosa, e relata: “Estou com dificuldade para dormir, não tenho comido direito, desde o ocorrido ... é o meu filho, sabe ... ele morreu há 3 dias ... e a dor no meu coração está muito forte, quase insuportável”. A paciente chora copiosamente e diz que sonha com uma pessoa gritando o nome de seu filho, relembrando o momento em que o tinha encontrado na rua, vítima de atropelamento. Após o primeiro acolhimento, ela fica um pouco mais calma, relatando que não pensa em se matar, que nunca tinha sido atendida por psiquiatra ou tomado medicamentos antes, mas que nesse momento precisa de muita ajuda. Diante do caso, qual a conduta adequada?

Mulher de 52 anos chega ao acolhimento de Unidade Básica de Saúde (UBS), muito chorosa, e relata: “Estou com dificuldade para dormir, não tenho comido direito, desde o ocorrido ... é o meu filho, sabe ... ele morreu há 3 dias ... e a dor no meu coração está muito forte, quase insuportável”. A paciente chora copiosamente e diz que sonha com uma pessoa gritando o nome de seu filho, relembrando o momento em que o tinha encontrado na rua, vítima de atropelamento. Após o primeiro acolhimento, ela fica um pouco mais calma, relatando que não pensa em se matar, que nunca tinha sido atendida por psiquiatra ou tomado medicamentos antes, mas que nesse momento precisa de muita ajuda. Diante do caso, qual a conduta adequada?

  1. Prescrever inibidor de recaptação de serotonina para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos.
  2. Encaminhar ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) para seguimento intensivo com médico psiquiatra.
  3. Encaminhar para psicologia na atenção secundária para ofertar terapia psicanalítica breve.
  4. Acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Análise do Caso Clínico

Resumo da Situação

Trata-se de uma reação de luto agudo após perda traumática recente (filho falecido há 3 dias). A paciente apresenta sintomas emocionais intensos mas sem ideação suicida, sem histórico psiquiátrico prévio e com boa resposta ao acolhimento inicial.

Alternativa D - Acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS


Desenvolvimento

Características do Quadro Clínico

AspectoInformação do Caso
Tempo desde o evento3 dias (muito recente)
Sintomas principaisInsônia, anorexia, choro, dor emocional intensa
Ideação suicidaNegada pela paciente
Histórico psiquiátricoNenhum
Resposta ao acolhimentoMelhorou parcialmente

Conceitos-Chave

Luto Agudo: Reação emocional normal após perda significativa, que pode durar semanas a meses. Não é considerado transtorno depressivo neste período inicial.

Diferença entre Luto e Depressão:

CritérioLuto AgudoDepressão Maior
HumorFlutua, com momentos de alívioConstantemente baixo
AutoestimaGeralmente preservadaPrejudicada
Pensamentos sobre morteRelacionados à perdaIdeação suicida ativa
TratamentoApoio psicossocialPode exigir medicação

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • Alternativa A (Medicação): Antidepressivos não são primeira linha para luto agudo. O quadro ainda está muito recente para diagnóstico de depressão.
  • Alternativa B (CAPS): Centros de Atenção Psicossocial são para casos mais complexos ou graves. Paciente sem risco suicida não requer seguimento intensivo imediato.
  • Alternativa C (Psicanálise na secundária): Encaminhamento prematuro. A atenção primária deve oferecer suporte inicial antes de considerar especialização.

Abordagem Correta na Atenção Básica

O Ministério da Saúde recomenda para luto agudo sem complicação:

  • Acolhimento terapêutico na UBS
  • Acompanhamento longitudinal pela equipe multidisciplinar
  • Oferta de escuta qualificada e suporte psicossocial
  • Monitoramento para sinais de complicação (suicídio, persistência dos sintomas além de 6 meses)
  • Encaminhamento especializado apenas se necessário (piora clínica, ideação suicida)

Conclusão

A conduta adequada é acompanhamento longitudinal pela equipe da UBS (Alternativa D), pois:

  1. É um caso de luto agudo normal, não patológico
  2. Sem risco suicida iminente
  3. A atenção básica tem capacidade para oferecer suporte inicial adequado
  4. Permite monitorar evolução e encaminhar somente se necessário

Esta abordagem segue os princípios do SUS e as diretrizes do Ministério da Saúde para saúde mental na atenção básica.

Tem outra questão para resolver?

Resolver agora com IA

Mais questões de Medicina

Ver mais Medicina resolvidas

Tem outra questão de Medicina?

Cole o enunciado, tire uma foto ou descreva o problema — a IA resolve com explicação completa em segundos.