Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 56 anos procura a Unidade Básica de Saúde para acompanhamento de diabetes mellitus tipo 2. Está em uso regular de metformina 850 mg três vezes ao dia e glizida 60 mg/dia. Refere boa adesão ao tratamento e às orientações dietéticas. Exames recentes mostram: • Hemoglobina glicada: 6,9%; • Creatinina sérica: 0,9 mg/dl; • Taxa de filtração glomerular estimada: 85 ml/min/1,73 m²; • Relação albumina/creatinina urinária: 100 mg/g. Pressão arterial: 125 x 78 mmHg. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, sem edema periférico ou outras alterações relevantes. Considerando o quadro clínico e as recomendações atuais para tratamento de diabetes em pacientes com diabetes no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a conduta mais adequada é:

Mulher de 56 anos procura a Unidade Básica de Saúde para acompanhamento de diabetes mellitus tipo 2. Está em uso regular de metformina 850 mg três vezes ao dia e glizida 60 mg/dia. Refere boa adesão ao tratamento e às orientações dietéticas. Exames recentes mostram: • Hemoglobina glicada: 6,9%; • Creatinina sérica: 0,9 mg/dl; • Taxa de filtração glomerular estimada: 85 ml/min/1,73 m²; • Relação albumina/creatinina urinária: 100 mg/g. Pressão arterial: 125 x 78 mmHg. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, sem edema periférico ou outras alterações relevantes. Considerando o quadro clínico e as recomendações atuais para tratamento de diabetes em pacientes com diabetes no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a conduta mais adequada é:

  1. Manter o esquema terapêutico atual, pois a pressão arterial e a hemoglobina glicada encontram-se dentro da faixa normal, não havendo indicação de novas medicações.
  2. Suspender a glizida e iniciar insulinoterapia basal, adiando outras intervenções até novo controle da hemoglobina glicada.
  3. Iniciar inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) e introduzir inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) para reduzir a progressão da doença renal.
  4. Introduzir bloqueador do canal de cálcio para prevenção da doença renal diabética e manter o tratamento hipoglicemiante atual.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Iniciar inibidor da enzima conversora de angiotensia (IECA) e introduzir inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) para reduzir a progressão da doença renal.

Análise Didática

Para responder a esta questão, precisamos interpretar os exames laboratoriais e entender as diretrizes atuais para o manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2), focando na prevenção de complicações.

1. Interpretação dos Exames da Paciente

  • Controle Glicêmico: A hemoglobina glicada está em 6,9%. Para a maioria dos adultos, a meta é menor que 7,0%. Portanto, o controle glicêmico está adequado.
  • Função Renal (TFG): A taxa de filtração glomerular é de 85 mL/min/1,73 m². Valores acima de 60 são considerados normais, indicando que a filtragem do rim ainda está funcionando bem.
  • Marcador de Lesão Renal (Crucial): A relação albumina/creatinina urinária é de 100 mg/g.
  • < 30 mg/g: Normal
  • 30 – 300 mg/g: Microalbuminúria (Estágio A2)
  • > 300 mg/g: Macroalbuminúria
  • Interpretação: A paciente já apresenta perda de proteína na urina (microalbuminúria), que é o sinal precoce de nefropatia diabética, mesmo antes de haver queda na creatinina ou na filtração glomerular.
  • Pressão Arterial: 125 x 78 mmHg. Está dentro do limite considerado ótimo para diabéticos (< 130/80 mmHg).

2. Por que a Alternativa C é a correta?

As diretrizes modernas (como as da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM e associações internacionais como ADA/EASD) enfatizam a proteção renal além do simples controle da glicose.

  • Uso de IECA (Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensia): Em pacientes com DM2 e albuminúria (mesmo microalbuminúria), o uso de IECA ou BRA (Bloqueadores de Receptores de Angiotensina) é recomendado para reduzir a proteinúria e proteger os rins contra a progressão da doença, mesmo que a pressão arterial esteja normal.
  • Uso de iSGLT2 (Inibidores de SGLT2): Medicamentos como Dapagliflozina e Empagliflozina têm demonstrado benefícios robustos na redução do declínio da função renal e eventos cardiovasculares. Eles são indicados preferencialmente em pacientes com DM2 e doença renal ou alto risco, independentemente do nível de hemoglobina glicada.

3. Por que as outras alternativas estão incorretas?

AlternativaMotivo da Incorreção
A (Manter atual)Ignora a microalbuminúria. Manter o tratamento apenas hipoglicemiante não protege o rim da progressão da lesão já iniciada.
B (Insulina)A glicemia está controlada (6,9%). Iniciar insulina não traz benefício adicional imediato e aumenta risco de hipoglicemia.
D (Bloqueador de Canal de Cálcio)Indicados para hipertensão resistente. Como a PA da paciente está ótima, não há indicação prioritária sobre os IECA para proteção renal.

Resumo: A paciente tem um "alerta silencioso" de dano renal (albumina na urina). A conduta proativa deve incluir medicamentos renoprotetores específicos (IECA e SGLT2), conforme descrito na Alternativa C.

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