Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 59 anos, GIIIPIII, menopausada há 10 anos, apresenta sangramento vaginal há uma semana. É hipertensa e tem índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m². Ao exame ginecológico apresenta colo atrófico e útero levemente aumentado. A ultrassonografia transvaginal mostra espessamento endometrial de 15mm. Diante desse quadro, o médico deve:

Mulher de 59 anos, GIIIPIII, menopausada há 10 anos, apresenta sangramento vaginal há uma semana. É hipertensa e tem índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m². Ao exame ginecológico apresenta colo atrófico e útero levemente aumentado. A ultrassonografia transvaginal mostra espessamento endometrial de 15mm. Diante desse quadro, o médico deve:

  1. Realizar histerectomia total com salpingo-oforectomia bilateral.
  2. Prescrever progestogênio oral por três meses e reavaliar.
  3. Repetir a ultrassonografia transvaginal em seis meses.
  4. Solicitar histeroscopia com biópsia endometrial.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Solicitar histeroscopia com biópsia endometrial.

Fundamentação Clínica

O quadro apresentado é clássico de sangramento vaginal pós-menopausa, um sintoma de alta vigilância médica devido ao risco de carcinoma de endométrio.

1. Fatores de Risco e Sinais de Alerta

A paciente possui múltiplos fatores de risco para hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio:

  • Idade: 59 anos.
  • Menopausa tardia/longa exposição estrogênica implícita: Embora a idade média seja 50 anos, ela já está há 10 anos nesse período.
  • Obesidade (IMC 32 kg/m²): O tecido adiposo realiza a aromatização de androgênios em estrogênios, aumentando a estimulação endometrial sem oposição.
  • Hipertensão Arterial Sistêmica: Frequentemente associada à síndrome metabólica e maior risco ginecológico.

2. Interpretação da Ultrassonografia

Em mulheres pós-menopausadas com sangramento, o limite seguro de espessura endometrial é geralmente considerado até 4 mm a 5 mm.

  • Achado da paciente: $15 \text{ mm}$ de espessura endometrial.
  • Significado: Esse valor é altamente sugestivo de patologia (hiperplasia, pólipos ou carcinoma). Não se justifica esperar ou tratar empiricamente.

3. Conduta Correta (Padrão-Ouro)

Para estabelecer o diagnóstico etiológico antes de qualquer tratamento cirúrgico ou medicamentoso, é obrigatório obter material histológico.

MétodoIndicação
Histeroscopia com biópsiaVisualização direta da cavidade uterina e coleta dirigida de tecido. Ideal para lesões focais ou quando a biópsia simples falha.
Curetagem / Pipeta de NovakMétodos válidos para amostragem, mas a histeroscopia oferece melhor precisão diagnóstica em casos complexos.

A alternativa D é a única que propõe o diagnóstico histopatológico, etapa indispensável para diferenciar hiperplasia simples, hiperplasia atípica ou adenocarcinoma.

Análise das Alternativas Incorretas

  • Alternativa A (Histerectomia total): Realizar cirurgia radical sem diagnóstico prévio é contraindicado. Se houver câncer avançado, a conduta cirúrgica muda (estadiamento oncológico específico), e realizar uma histerectomia simples poderia comprometer o prognóstico.
  • Alternativa B (Progestogênio oral): O uso de hormônios é um tratamento para hiperplasias benignas ou específicas, mas nunca deve ser iniciado sem confirmação histológica. Tratar sem biópsia mascararia um possível câncer, permitindo sua progressão.
  • Alternativa C (Repetir ultrassom): O endométrio de $15 \text{ mm}$ com sangramento ativo não permite observação passiva. O atraso no diagnóstico reduziria as chances de cura em caso de malignidade.

Conclusão: Diante de sangramento pós-menopáusico com endométrio espessado (>4\text{mm}), a investigação diagnóstica imediata via biópsia endometrial (preferencialmente guiada por histeroscopia) é mandatória.

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