Medicina Múltipla Escolha

Multípara, 37 semanas, obesa, apresentando diabetes mellitus gestacional controlada com insulina NPH e regular. Evoluiu para parto normal, e o recém-nascido pesou 3.300 g. A conduta no puerpério imediato deve ser:

Multípara, 37 semanas, obesa, apresentando diabetes mellitus gestacional controlada com insulina NPH e regular. Evoluiu para parto normal, e o recém-nascido pesou 3.300 g. A conduta no puerpério imediato deve ser:

  1. Suspender insulinoterapia.
  2. Iniciar hipoglicemiante oral.
  3. Manter insulina NPH em 1/3 da dose da gravidez.
  4. Manter insulinoterapia com a dosagem do pré-natal.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Suspender insuloterapia

Análise Detalhada

Esta questão aborda o manejo do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) no período pós-parto imediato. O ponto chave para resolver esta questão é entender a fisiologia hormonal que ocorre durante a gravidez e logo após o parto.

1. Fisiopatologia da Resistência à Insulina na Gravidez

Durante a gestação, a placenta produz hormônios diabetogênicos (como o hormônio lactogênio placentário humano, progesterona e cortisol). Esses hormônios aumentam a resistência periférica à insulina, exigindo que a mãe produza mais insulina (ou receba mais via injetável) para manter a glicemia controlada.

2. O que acontece após o parto?

Com o nascimento do bebê e a expulsão da placenta, a fonte principal desses hormônios resistentes à insulina é removida abruptamente.

  • Consequência: A sensibilidade à insulina retorna rapidamente aos níveis basais (pré-gestacionais).
  • Risco: Se a paciente mantiver a mesma dose de insulina usada durante a gravidez, o risco de hipoglicemia severa é altíssimo.

3. Diretrizes Clínicas (SOBRAD / ACOG)

As principais diretrizes de endocrinologia e obstetrícia recomendam:

  • Suspensão imediata da insulina: Na maioria dos casos de DMG, não há necessidade de manter insulina após o parto.
  • Monitoramento: Deve-se realizar monitoramento glicêmico capilar nas primeiras horas/dias para garantir que os valores se mantenham normais sem medicação.
  • Retorno ao controle: Se a glicemia permanecer normal, a medicação é descontinuada definitivamente até nova avaliação futura (ex: teste de tolerância à glicose em 6-12 semanas).

Tabela Comparativa das Alternativas

AlternativaCondutaAvaliação
ASuspender insuloterapiaCORRETA. Elimina o risco de hipoglicemia e segue a fisiologia do desaparecimento da placenta.
BIniciar hipoglicemiante oralIncorreta. Não é a primeira linha no pós-parto imediato; a insulina é suspensa primeiro.
CManter insulina em 1/3 da doseMenos preferível. Embora reduza o risco, a suspensão total é o padrão ouro para DMG puro.
DManter insuloterapia com a dosagem do pré-natalINCORRETA. Altíssimo risco de hipoglicemia grave por excesso de insulina.

Nota sobre a imagem: A opção selecionada na imagem (letra D) é incorreta do ponto de vista médico. Manter a dosagem completa do pré-natal coloca a paciente em risco de choque hipoglicêmico.

Conclusão

A resposta correta é a Alternativa A. A remoção da placenta elimina a resistência à insulina induzida pela gravidez, tornando desnecessária a manutenção da terapia com insulina no puerpério imediato, salvo em casos específicos de persistência de hiperglicemia (que seria avaliada posteriormente).

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