Medicina Múltipla Escolha

Paciente com 20 anos, com histórico de depressão e ideação suicida, relata uso irregular de dipirona, losartana, insulina NPH e regular, metformina, sertralina e varfarina, além de consumo de cerveja diariamente. Refere que há cerca de 3 meses, após o morte do esposo, vem apresentando, diariamente, tristeza, anedonia, insônia, perda de apetite, sentimento de menos valia, desesperança de melhora no futuro. Nega sintomas psicóticos. Morando sozinha, tem apenas uma filha e relata que a ideia de suicídio tem sido persistente. Qual é a conduta mais adequada?

Paciente com 20 anos, com histórico de depressão e ideação suicida, relata uso irregular de dipirona, losartana, insulina NPH e regular, metformina, sertralina e varfarina, além de consumo de cerveja diariamente. Refere que há cerca de 3 meses, após o morte do esposo, vem apresentando, diariamente, tristeza, anedonia, insônia, perda de apetite, sentimento de menos valia, desesperança de melhora no futuro. Nega sintomas psicóticos. Morando sozinha, tem apenas uma filha e relata que a ideia de suicídio tem sido persistente. Qual é a conduta mais adequada?

  1. Encaminhar o paciente a um serviço de urgência, se estiver acompanhada de alguém de sua confiança e se houver o seu consentimento ou de seu acompanhante.
  2. Encaminhar o paciente a um serviço de urgência, acompanhada por profissionais de saúde ou alguém de sua confiança, independente do consentimento do paciente.
  3. Utilizando-se do vínculo que possui com o paciente, otimizar o tratamento farmacológico da depressão, agendar retorno dentro de um a dois dias e solicitar avaliação do psicólogo da USF.
  4. Preencher o formulário de encaminhamento e orientar a paciente a procurar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de referência para atendimento com psiquiatra e equipe multiprofissional, agendando retornos curtos na USF.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Preencher o formulário de encaminhamento e orientar a paciente a procurar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de referência para atendimento com psiquiatra e equipe multiprofissional, agendando retornos curtos na USF.

Justificativa Didática

Este caso clínico descreve uma paciente com Transtorno Depressivo Grave apresentando Ideação Suicida Ativa (pensa em tirar a própria vida) e histórico prévio de tentativa de suicídio. Ela também apresenta comorbidades clínicas (diabetes, hipertensão, uso de múltiplos medicamentos) e fatores psicossociais complexos (luto recente, isolamento social, conflito familiar).

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), a conduta adequada deve seguir a lógica da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Por que a Alternativa D é a correta?

  1. Encaminhamento ao CAPS: O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o serviço especializado responsável pelo cuidado de pessoas com sofrimento mental grave. Como a paciente precisa de avaliação psiquiátrica e suporte multiprofissional (psicologia, serviço social) para lidar com o luto, o isolamento e a crise suicida, este é o nível adequado de atenção, evitando internações hospitalares desnecessárias se não houver risco imediato de morte iminente.
  2. Manutenção do Vínculo: Agendar retornos curtos na Unidade de Saúde da Família (USF) garante a continuidade do cuidado. O médico de família mantém o vínculo terapêutico, monitora a adesão aos medicamentos e apoia a paciente entre as consultas especializadas.
  3. Segurança sem Violência: Ao contrário das opções de urgência (A e B), esta opção respeita a autonomia da paciente enquanto a encaminha para o local correto, desde que ela seja orientada sobre a gravidade da situação.

Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaProblema Principal
ACondições restritivas ("se estiver acompanhada", "se houver consentimento") podem atrasar o cuidado em um caso de alto risco.
BEncaminhamento à urgência independente do consentimento sugere internação compulsória ou atendimento de emergência médica, reservado para riscos de vida iminentes (ex: paciente já ingeriu medicação agora).
CApenas otimizar tratamento e aguardar retorno em dias é insuficiente para pacientes com risco suicida ativo, exigindo intervenção especializada imediata (CAPS).

Conclusão: A melhor prática clínica em Atenção Básica diante de depressão grave com ideação suicida é garantir o acesso à rede especializada (CAPS) mantendo o acompanhamento primário, conforme descrito na Alternativa D.

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