Medicina Múltipla Escolha

Paciente de 29 anos, nuligesta, ciclos menstruais com intervalos de 20 a 65 dias, duração de 4 a 10 dias, intensidade moderada. Apresenta índice de massa corporal de 41,5 kg/m² e se submeterá à cirurgia bariátrica em alguns meses. Necessita de orientação para contracepção. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.

Paciente de 29 anos, nuligesta, ciclos menstruais com intervalos de 20 a 65 dias, duração de 4 a 10 dias, intensidade moderada. Apresenta índice de massa corporal de 41,5 kg/m² e se submeterá à cirurgia bariátrica em alguns meses. Necessita de orientação para contracepção. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.

  1. Para contracepção efetiva e proteção endometrial, está indicado o endoceptivo antes da operação.
  2. Devido ao risco de apresentar tromboembolismo, está contraindicado o uso de métodos hormonais.
  3. Apresenta quadro de anovulação crônica, portanto deve ser orientada a usar preservativo masculino.
  4. Está contraindicada gravidez na fase de perda de peso, logo ela pode usar o adesivo anticoncepcional.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B

A paciente apresenta um perfil de alto risco para eventos trombóticos e complicações relacionadas à obesidade mórbida, o que direciona a escolha contraceptiva.

Análise do Caso Clínico:

  • Índice de Massa Corporal (IMC): $41,5 \text{ kg/m}^2$. Isso classifica a paciente como Obesidade Grau III (Mórbida).
  • Ciclos Menstruais: Intervalos irregulares (20 a 65 dias) sugerem anovulação crônica, comum na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Isso expõe o endométrio a estrogênio sem a proteção da progesterona, aumentando o risco de hiperplasia endometrial.
  • Cirurgia Bariátrica: Procedimento que aumenta significativamente o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

Justificativa Didática

A alternativa correta é a B devido aos seguintes fatores clínicos:

  1. Risco Tromboembólico Elevado: O uso de métodos hormonais contendo estrogênio (como pílulas combinadas, adesivos e anéis vaginais) está associado a um aumento no risco de tromboembolismo venoso (TEV). Em mulheres com IMC > $30 \text{ kg/m}^2$, esse risco é potencializado pela obesidade (estado pró-inflamatório e imobilidade relativa).
  2. Contraindicação Cirúrgica: Pacientes submetidos a cirurgias de grande porte (como a bariátrica) têm risco aumentado de coágulos. Associar o uso de estrogênio antes da cirurgia é considerado uma contraindicação absoluta ou relativa grave (Categoria 3 ou 4 nas diretrizes da OMS).
  3. Proteção Endometrial: Embora a paciente precise de proteção endometrial devido à anovulação, essa proteção deve vir de progestágenos (não de estrogênio). Métodos não hormonais ou dispositivos intrauterinos (DIU) são preferíveis neste contexto.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A: O termo "endoceptivo" não é padrão e, se referir a métodos hormonais, o estrogênio é perigoso aqui. Além disso, a eficácia de alguns métodos pode variar na obesidade mórbida.
  • C: Embora a paciente tenha anovulação crônica, o preservativo sozinho não protege contra o risco de câncer de endométrio decorrente da anovulação (falta de progesterona). Além disso, a orientação deve priorizar a segurança cardiovascular.
  • D: O adesivo anticoncepcional contém estrogênio. Em pacientes obesas, a absorção cutânea pode ser inconsistente, reduzindo a eficácia, e mantém o risco elevado de tromboembolismo.

Em resumo, a segurança cardiovascular prevalece: evita-se estrogênio em obesidade mórbida pré-operatória.

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