Medicina Múltipla Escolha

Paciente do sexo feminino, 26 anos, previamente hígida, com relato de diarreia há cerca de 8 meses, fezes volumosas, de coloração clara e odor fétido associado a emagrecimento (6 kg), distensão abdominal e fadiga. Nega febre, uso recente de antibióticos ou viagens. História familiar de diabetes tipo 1. Ao exame físico, hipocorada, lesões papulovesiculares agrupadas, com escoriações e crostas, distribuídas simetricamente em superfícies extensoras. e abdome levemente distendido, sem dor à palpação. Qual o conjunto de exames complementares iniciais mais adequado?

Paciente do sexo feminino, 26 anos, previamente hígida, com relato de diarreia há cerca de 8 meses, fezes volumosas, de coloração clara e odor fétido associado a emagrecimento (6 kg), distensão abdominal e fadiga. Nega febre, uso recente de antibióticos ou viagens. História familiar de diabetes tipo 1. Ao exame físico, hipocorada, lesões papulovesiculares agrupadas, com escoriações e crostas, distribuídas simetricamente em superfícies extensoras. e abdome levemente distendido, sem dor à palpação.

Qual o conjunto de exames complementares iniciais mais adequado?

  1. Tomografia computadorizada de abdome com contraste e dosagem de eletrólitos.
  2. Coprocultura e exame protoparasitológico para pesquisa de parasitas entéricos.
  3. Colonoscopia com biópsias múltiplas de cólon e dosagem de calprotectina fecal.
  4. Dosagem de anticorpos anti-transglutaminase IgA, IgA total e biópsia duodenal.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Dosagem de anticorpos anti-transglutaminase IgA, IgA total e biópsia duodenal.

Introdução

A questão descreve um caso clínico clássico de Doença Celíaca (ou Enteropatia Sensível ao Glúten). O reconhecimento depende da integração entre os sintomas digestivos, as alterações cutâneas características e o histórico familiar de doenças autoimunes.

Desenvolvimento

O paciente apresenta um quadro sugestivo de má absorção intestinal:

  • Esteatorreia: Fezes volumosas, claras e de odor fétido indicam má absorção de gorduras.
  • Perda de peso e Fadiga: Consequências da desnutrição e má absorção de nutrientes.
  • Anemia: Sugestiva pela hipocoria (palidez), comum na celíaca devido à deficiência de ferro ou folato.

Os pontos cruciais que direcionam o diagnóstico são:

  1. Lesões Cutâneas: As "lesões papulovesiculares agrupadas... em superfícies extensoras" são a descrição clássica da Dermatite Herpetiforme. Esta é a manifestação extraintestinal da Doença Celíaca.
  2. Histórico Familiar: A associação com Diabetes Tipo 1 reforça a predisposição genética a doenças autoimunes, já que celíacos têm maior risco de desenvolver outras condições imunológicas.

Análise

Para confirmar o diagnóstico de Doença Celíaca, o protocolo padrão segue esta lógica:

  • Sorologia Inicial: A dosagem de anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA possui alta sensibilidade e especificidade.
  • Controle de Qualidade: Deve-se medir a IgA total simultaneamente, pois existe uma condição chamada deficiência seletiva de IgA (comum em celíacos) que pode gerar falso-negativo na sorologia.
  • Confirmação Histológica: A biópsia duodenal é necessária para visualizar a atrofia de vilosidades intestinais (padrão ouro).

Por que as outras alternativas estão incorretas?

AlternativaMotivo do Erro
ATomografia não visualiza alterações da mucosa intestinal leve/moderada. É útil para massas ou obstruções mecânicas.
BEmbora parasitoses (ex: Giardíase) causem esteatorreia, as lesões de pele (dermatite herpetiforme) e a história familiar tornam a Doença Celíaca o diagnóstico principal.
CA colonoscopia examina o cólon. A lesão da Doença Celíaca ocorre no duodeno e jejuno (intestino delgado proximal).

Conclusão

A tríade clínica de esteatorreia, dermatite herpetiforme e histórico de diabetes tipo 1 exige investigação imediata para Doença Celíaca. Portanto, a conduta mais adequada é realizar a triagem sorológica específica (Anti-transglutaminase + IgA total) seguida da confirmação por biópsia.

Alternativa D.

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