Medicina Múltipla Escolha

Paciente do sexo feminino, 27 anos, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com história de dor abdominal há dois dias, contínua, sem fatores de melhora, associada a náuseas e perda de apetite, evoluindo para dor em fossa ilíaca direita há 1 dia e febre de 38,2 °C no dia do atendimento. Nega comorbidades, cirurgias prévias ou uso de medicações regulares. Relata que a última menstruação foi há 23 dias, e apresenta ciclos regulares de 28 dias. Exame físico: regular estado geral, corada, desidratada +/4+, eupneica, anictérica, acianótica; ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; ruídos hidroaéreos diminuídos, descompressão brusca dolorosa inferior em quadrante de abdome à direita. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta adequada é:

Paciente do sexo feminino, 27 anos, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com história de dor abdominal há dois dias, contínua, sem fatores de melhora, associada a náuseas e perda de apetite, evoluindo para dor em fossa ilíaca direita há 1 dia e febre de 38,2 °C no dia do atendimento. Nega comorbidades, cirurgias prévias ou uso de medicações regulares. Relata que a última menstruação foi há 23 dias, e apresenta ciclos regulares de 28 dias. Exame físico: regular estado geral, corada, desidratada +/4+, eupneica, anictérica, acianótica; ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; ruídos hidroaéreos diminuídos, descompressão brusca dolorosa inferior em quadrante de abdome à direita. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta adequada é:

  1. Iniciar antibioticoterapia empírica até resultado de exame de urocultura.
  2. Realizar tomografia computadorizada de abdome e iniciar metotrexato.
  3. Iniciar antibioticoterapia empírica e acompanhamento ambulatorial.
  4. Realizar ultrassonografia de abdome e solicitar parecer cirúrgico.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Com base na análise do caso clínico apresentado na imagem, a resposta correta é identificada abaixo.

Alternativa D - Realizar ultrassonografia de abdome e solicitar parecer cirúrgico

Análise Didática do Caso

O caso clínico descreve uma paciente de 27 anos com um quadro clássico de Apendicite Aguda. A seguir, detalhamos os pontos fundamentais para chegar ao diagnóstico e à conduta correta.

1. Raciocínio Clínico e Diagnóstico

O histórico da paciente apresenta os três pilares clínicos da apendicite:

  • Dor Abdominal Típica: Início em epigástrico (visceral) evoluindo para fossa ilíaca direita (somático/peritoneal). Isso é conhecido como migração da dor, altamente sugestiva de apendicite.
  • Sinais Inflamatórios: Febre ($38,2\ ^{\circ}\text{C}$), náuseas e perda de apetite (anorexia).
  • Exame Físico: Presença de sinal de Blumberg positivo ("descompressão brusca dolorosa"), indicando peritonite local.

2. Interpretação dos Exames Laboratoriais

Os resultados da tabela confirmam o processo inflamatório agudo:

  • Leucocitose: $13.400/\text{mm}^3$ (valor normal até $11.000$).
  • Desvio para a Esquerda: Presença de bastonetes ($7\%$), indicando infecção bacteriana ativa.
  • Alterações na Urina: A presença de leucócitos e hemácias na urina pode confundir com Infecção do Trato Urinário (ITU). Porém, na apendicite retrocecal ou pélvica, o apêndice inflamado pode irritar o ureter ou bexiga, causando leucocitúria e hematúria reacional. O quadro clínico supera essa alteração isolada.
  • Beta-HCG Negativo: Fundamental para excluir Gravidez Ectópica, uma causa comum de dor em FID em mulheres em idade fértil.

3. Justificativa da Conduta (Alternativa D vs. Outras)

AlternativaAvaliaçãoMotivo
A. Antibiótico para ITU❌ IncorretaIgnora o quadro de apendicite. Antibióticos sozinhos não resolvem a obstrução/apendicite aguda sintomática com sinais de peritonite.
B. TC + Metotrexato❌ IncorretaMetotrexato é tratamento para Gravidez Ectópica. Como o Beta-HCG é negativo, esse medicamento é contraindicado.
C. Antibiótico + Alta❌ IncorretaPaciente com sinais de peritonite (Blumberg) e febre deve ser internada. Conduta ambulatorial é insuficiente e arriscada.
D. USG + Parecer CirúrgicoCorretaÉ o padrão-ouro inicial. O Ultrassom é seguro (sem radiação) e eficaz para visualizar o apêndice e anexos femininos. O parecer cirúrgico é obrigatório para planejar a apendicectomia.

Conclusão

A paciente apresenta quadro compatível com Apendicite Aguda. A conduta adequada exige confirmação diagnóstica rápida (via imagem) e decisão cirúrgica imediata para evitar ruptura do apêndice e sepse.

Portanto, a alternativa D é a correta.

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