Medicina Múltipla Escolha

Primigesta de 33 semanas de gestação refere perda vaginal de líquido há 4 horas. Nega comorbidades. Refere boa movimentação fetal. Última consulta de pré-natal foi há duas semanas. Ao exame, PA - 100x60 mmHg, temperatura axilar de 36,2 °C, altura uterina de 30 cm, batimentos cardiofetais 140 bpm, dinâmica uterina ausente, exame especular com saída de líquido amniótico claro sem grumos pelo orifício cervical externo do colo uterino. Hemograma e exame de urina normais. Além da internação, qual é a conduta mais adequada no caso?

Primigesta de 33 semanas de gestação refere perda vaginal de líquido há 4 horas. Nega comorbidades. Refere boa movimentação fetal. Última consulta de pré-natal foi há duas semanas. Ao exame, PA - 100x60 mmHg, temperatura axilar de 36,2 °C, altura uterina de 30 cm, batimentos cardiofetais 140 bpm, dinâmica uterina ausente, exame especular com saída de líquido amniótico claro sem grumos pelo orifício cervical externo do colo uterino. Hemograma e exame de urina normais. Além da internação, qual é a conduta mais adequada no caso?

  1. Avaliação da vitalidade fetal e indução do parto.
  2. Conduta conservadora com vigilância materno-fetal, antibioticoprofilaxia e corticoterapia.
  3. Realização de sulfato de magnésio por 12 horas e após cesariana.
  4. Conduta conservadora com vigilância materno-fetal, corticoterapia e sulfatação.
  5. Antibioticoprofilaxia e indução do parto.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Conduta conservadora com vigilância materno-fetal, antibioticoprofilaxia e corticoterapia

Diagnóstico e Conduta Baseada em Diretrizes

O caso clínico descreve uma paciente de 33 semanas de gestação com Ruptura Prematura de Membranas (RPM) ou PPROM (Preterm Premature Rupture of Membranes), confirmada pela saída de líquido amniótico pelo orifício cervical no exame especular.

A conduta ideal depende da idade gestacional e da presença de sinais de infecção ou sofrimento fetal. Neste caso:

  • Idade Gestacional: 33 semanas (pré-termo tardio).
  • Quadro Clínico: Estável (PA normal, sem febre, batimentos cardíacos fetais normais, dinâmica uterina ausente).
  • Objetivos: Promover maturação pulmonar fetal e prevenir infecções (corioamnionite) enquanto se aguarda o parto.

Análise Detalhada das Opções

1. Uso de Corticosteroides (Corticoterapia)

É indicado para todas as gestantes entre 24 e 34 semanas de gestação com risco de parto pré-termo iminente. O objetivo é acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir riscos de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e necrose enterocolítica.

  • Neste caso: A paciente tem 33 semanas, logo, corticoterapia é obrigatória.

2. Uso de Antibióticos (Antibioticoprofilaxia)

Para RPM pré-termo antes de 34 semanas, o uso de antibióticos é recomendado para prolongar o intervalo livre de latência (tempo entre a ruptura e o parto) e reduzir o risco de corioamnionite e morbimortalidade neonatal.

  • Neste caso: A paciente não apresenta sinais de infecção (febre, taquicardia materna), mas a profilaxia é padrão ouro para preservar o tempo ganho pelos corticoides.
  • Importante: Esta é a principal diferença entre as opções B e D.

3. Uso de Sulfato de Magnésio (Sulfatação)

O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal.

  • Indicação Padrão: Geralmente recomendado para gestações abaixo de 32 semanas (algumas diretrizes estendem até 34 semanas, mas há controvérsia).
  • Prioridade: Em 33 semanas, o risco infeccioso (que exige antibióticos) é geralmente considerado mais imediato e crítico do que a neuroproteção (que é mais crítica < 32 semanas).

4. Indução do Parto

A indução (Opção A e E) é reservada para casos com:

  • Infecção intra-amniótica (corioamnionite).
  • Sofrimento fetal agudo.
  • Placenta abrupta.
  • Idade gestacional ≥ 34 semanas (em muitos protocolos, após o efeito dos corticoides).
  • Neste caso: Não há indicações para interrupção imediata da gravidez, pois o ganho de tempo adicional (até 34 semanas) beneficia o recém-nascido.

Conclusão

A Alternativa B é a conduta mais adequada e segura baseada nas principais diretrizes internacionais (ACOG, FIGO) e nacionais (SOGEC/SBGO). Ela equilibra a necessidade de maturação pulmonar (corticoides) com a prevenção de complicações infecciosas graves (antibióticos), mantendo a vigilância estreita.

Embora a imagem mostre a opção D selecionada, a medicina baseada em evidências prioriza a inclusão de antibióticos sobre o sulfato de magnésio nesta faixa etária específica (33 semanas), já que o sulfato de magnésio é estritamente indicado preferencialmente < 32 semanas, enquanto os antibióticos são mandatórios para RPM pré-termo.

Resumo da Conduta Ideal:

IntervençãoIndicada?Motivo
InternaçãoSimVigilância constante
CorticoidesSimMaturação pulmonar (24-34 sem)
AntibióticosSimProlongamento da latência e prevenção de sepse
Sulfato de MgDiscutívelPrioridade < 32 sem (geralmente)
Parto ImediatoNãoSem sinais de infecção ou sofrimento

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