Medicina Múltipla Escolha

Um homem com 45 anos de idade, internado em enfermaria de hospital secundário há 15 dias pós trauma com boa evolução, apresenta swab anal positivo para bacilo gram-negativo resistente a carbapenêmico. Ele não apresenta febre e o leucograma está com 6.500 leucócitos (neutrófilos: 4.500, linfócitos: 1.500 células). Nesse caso, a conduta adequada é:

Um homem com 45 anos de idade, internado em enfermaria de hospital secundário há 15 dias pós trauma com boa evolução, apresenta swab anal positivo para bacilo gram-negativo resistente a carbapenêmico. Ele não apresenta febre e o leucograma está com 6.500 leucócitos (neutrófilos: 4.500, linfócitos: 1.500 células). Nesse caso, a conduta adequada é:

  1. encaminhar o paciente a um centro especializado de trauma.
  2. iniciar tratamento do paciente com antibiótico conforme o antibiograma.
  3. observar o quadro clínico do paciente e instituir precaução de contato.
  4. instituir precaução de gotículas e banho com clorhexidina para o paciente.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Observar o quadro clínico do paciente e instituir precaução de contato

Análise do Caso Clínico

Este cenário descreve um paciente colonizado, e não infectado, por uma bactéria multirresistente. A distinção fundamental aqui é entre infecção (presença de microrganismo com resposta inflamatória do hospedeiro) e colonização (presença do microrganismo sem resposta inflamatória).

Pontos Chave da Situação:

  • Colonização por BGNRC: O paciente tem o bacilo gram-negativo resistente a carbapenêmico no trato gastrointestinal (swab anal positivo), mas isso é comum em pacientes hospitalizados prolongados.
  • Ausência de Sinais Infecciosos:
  • Sem febre.
  • Leucograma normal ($6.500$ leucócitos).
  • "Boa evolução" clínica geral.
  • Risco de Disseminação: Mesmo sem doença, o paciente é uma fonte potencial de transmissão para outros pacientes vulneráveis ou para profissionais de saúde via mãos contaminadas.

Justificativa da Conduta Adequada

AçãoMotivo
Precaução de ContatoEssencial. Bactérias resistentes como BGNRC transmitem-se principalmente pelo contato direto ou indireto (mãos, superfícies). O isolamento previne surtos intra-hospitalares.
Observação ClínicaNecessária. Deve-se vigiar o surgimento de sinais de infecção real (febre, alteração nos exames) para iniciar tratamento se necessário.
Não Tratar AgoraCorreto. Usar antibióticos em portadores assintomáticos seleciona novas resistências e não elimina a colonização permanentemente.

Por que as outras estão erradas?

  • Alternativa A: O problema atual não é o trauma, mas o risco infeccioso. Transferir para outro centro não resolve o risco de contágio hospitalar e pode espalhar a bactéria para outra unidade.
  • Alternativa B: Tratar colonização é erro grave. Antibióticos não são indicados quando não há infecção ativa. Isso aumenta custos e toxicidade sem benefício clínico imediato.
  • Alternativa D: A precaução de gotículas é para vias aéreas (ex: gripe, meningite). Para BGNRC, a via é fecal/oral e contato. Além disso, banhos com clorhexidina podem ser parte do protocolo de descolonização em alguns casos específicos, mas a precaução de gotículas torna esta opção incorreta.

Conclusão: A prioridade é o controle de infecção hospitalar (isolamento de contato) e vigilância, sem intervenção medicamentosa desnecessária.

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