Medicina Múltipla Escolha

Um homem com 47 anos vai à unidade básica de saúde relatando caso de hematêmese e de melena. Ele nega constipação, mas relata episódios de dor abdominal esporádica, com empachamento. O paciente é natural e procedente do interior da Bahia e exerce a profissão de marceneiro. Durante a consulta, relata que toma banho em rios onde habitam caramujos. Ao exame físico, nota-se que o paciente está em regular estado geral, hipocorado (2+/4+) e ictérico (1+/4+). Considerando a suspeita diagnóstica e a provável fase da doença em que o paciente se encontra, devem ser solicitados, inicialmente, quais exames complementares?

Um homem com 47 anos vai à unidade básica de saúde relatando caso de hematêmese e de melena. Ele nega constipação, mas relata episódios de dor abdominal esporádica, com empachamento. O paciente é natural e procedente do interior da Bahia e exerce a profissão de marceneiro. Durante a consulta, relata que toma banho em rios onde habitam caramujos. Ao exame físico, nota-se que o paciente está em regular estado geral, hipocorado (2+/4+) e ictérico (1+/4+). Considerando a suspeita diagnóstica e a provável fase da doença em que o paciente se encontra, devem ser solicitados, inicialmente, quais exames complementares?

  1. Endoscopia digestiva alta; reação intradérmica; e pesquisa de ovos do parasita nas fezes.
  2. Ultrassonografia abdominal; endoscopia digestiva alta; e pesquisa de ovos do parasita nas fezes.
  3. Ressonância magnética abdominal; biópsia retal; e sorologia por reação de imunofluorescência indireta (IFI).
  4. Radiografia de tórax; sorologia por ensaio imunoenzimático (Elisa); e PCR no sangue para a detecção do DNA do parasita.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Análise Clínica e Diagnóstica

Esta questão descreve um caso clássico de Esquistossomose Mansônica com complicações hepáticas. Para chegar à resposta correta, é preciso conectar os dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais.

1. Interpretação do Caso Clínico

O paciente apresenta três pilares fundamentais para o diagnóstico:

  • Epidemiologia: Procedente do interior da Bahia (área endêmica) e exposição a caramujos (hospedeiros intermediários do Schistosoma mansoni).
  • Quadro Digestivo: Hematêmese e melena indicam Hemorragia Digestiva Alta (HDA). Em um contexto de doença hepática, isso é altamente sugestivo de ruptura de varizes esofágicas.
  • Sinais Sistêmicos: Hipocoria (anemia decorrente da perda sanguínea) e Icterícia (sugestivo de acometimento hepático significativo).

2. Hipótese Diagnóstica Principal

A associação entre a doença hepática e a hemorragia digestiva aponta para Hipertensão Portal secundária à Esquistossomose. O parasita causa granulomas nos portais do fígado, gerando fibrose e aumentando a pressão no sistema venoso porta.

3. Estratégia de Exames Complementares

Para conduzir este paciente adequadamente, precisamos investigar a causa da hemorragia e confirmar a etiologia parasitária.

ObjetivoExame IndicadoJustificativa
Avaliar o FígadoUltrassonografia AbdominalÉ o exame de escolha inicial para identificar alterações estruturais (fibrose, nódulos) e sinais de hipertensão portal (esplenomegalia, ascite).
Identificar SangramentoEndoscopia Digestiva AltaFundamental para visualizar varizes esofágicas ou gástricas e realizar tratamento (ligadura, escleroterapia).
Confirmar ParasitaPesquisa de Ovos nas FezesMétodo padrão-ouro para confirmar a infecção ativa por Schistosoma mansoni.

Análise das Alternativas

  • Alternativa A: Inclui a reação intradérmica (teste cutâneo antigo, pouco específico) e exclui a ultrassonografia, essencial para avaliar o fígado e a hipertensão portal antes ou concomitantemente à endoscopia.
  • Alternativa B: Correta. Propõe a tríade ideal: Ultrassonografia (avaliação estrutural do fígado), Endoscopia (controle da hemorragia) e Pesquisa de ovos (diagnóstico etiológico).
  • Alternativa C: A ressonância magnética é mais cara e demorada que a ultrassonografia para esta triagem inicial. A biópsia retal é invasiva e a sorologia, embora útil, não substitui a busca direta do parasita em casos agudos clássicos.
  • Alternativa D: Raio-X de tórax não avalia a patologia principal. Sorologia e PCR são exames complementares caros, não sendo a primeira linha para diagnóstico de rotina frente à presença de ovos nas fezes.

Conclusão

A conduta inicial deve priorizar a estabilização do paciente e a investigação da hipertensão portal e da infecção parasitária. A combinação de exames proposta na alternativa B cobre todas as frentes necessárias de forma lógica e econômica.

Alternativa B

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