Medicina Múltipla Escolha

Um lactente com 1 mês e 15 dias é trazido pela mãe ao pronto atendimento, a qual relata que seu filho vem apresentando vômitos intensos, em jato e de conteúdo leitoso. Ela nega febre associada ao quadro e alega que a criança sempre teve muito refluxo e que os sintomas se intensificaram há 2 semanas. A mãe tem ministrado sintomáticos nos últimos 10 dias, sem melhora, notando que o bebê tem perdido peso. Ao exame, o paciente encontra-se desidratado e sonolento, com abdome escavado, com redução de tecido subcutâneo e com presença de pequena massa móvel palpável em epigástrico. Seus exames laboratoriais revelam gasometria venosa com pH de 7,58 (valor de referência – VR: 7,35 a 7,45); PCO: de 41 mmHg (VR: 35 a 45 mmHg); pO: de 48,4 mmHg (VR: 80 a 100 mmHg); HCO3: de 36 mEq/L (VR: 22 a 28 mEq/L); BE de +13,5 (VR: -3 a +3); sódio de 138 mEq/L (VR: 135 a 145 mEq/L); potássio de 3,0 mEq/L (VR: 3,5 a 5 mEq/L); e cloro de 80 mEq/L (VR: 95 a 105 mEq/L). Acerca do caso apresentado e das condutas a serem adotadas, assinale a opção correta.

Um lactente com 1 mês e 15 dias é trazido pela mãe ao pronto atendimento, a qual relata que seu filho vem apresentando vômitos intensos, em jato e de conteúdo leitoso. Ela nega febre associada ao quadro e alega que a criança sempre teve muito refluxo e que os sintomas se intensificaram há 2 semanas. A mãe tem ministrado sintomáticos nos últimos 10 dias, sem melhora, notando que o bebê tem perdido peso. Ao exame, o paciente encontra-se desidratado e sonolento, com abdome escavado, com redução de tecido subcutâneo e com presença de pequena massa móvel palpável em epigástrico. Seus exames laboratoriais revelam gasometria venosa com pH de 7,58 (valor de referência – VR: 7,35 a 7,45); PCO: de 41 mmHg (VR: 35 a 45 mmHg); pO: de 48,4 mmHg (VR: 80 a 100 mmHg); HCO3: de 36 mEq/L (VR: 22 a 28 mEq/L); BE de +13,5 (VR: -3 a +3); sódio de 138 mEq/L (VR: 135 a 145 mEq/L); potássio de 3,0 mEq/L (VR: 3,5 a 5 mEq/L); e cloro de 80 mEq/L (VR: 95 a 105 mEq/L). Acerca do caso apresentado e das condutas a serem adotadas, assinale a opção correta.

  1. O lactente deve ser estabilizado clinicamente e encaminhado para o procedimento de pilorotomia.
  2. O lactente deve ser estabilizado clinicamente e encaminhado para realização de cirurgia de fundoplicatura.
  3. O lactente deve ser estabilizado clinicamente e avaliado quanto à possibilidade de erros inatos do metabolismo.
  4. O lactente deve ter a alimentação complementada com fórmula de aminoácidos própria para idade e a mãe deve suspender leite e derivados da dieta do filho.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - O lactente deve ser estabilizado clinicamente e encaminhado para o procedimento de piloromiotoomia.

Diagnóstico Clínico

O caso apresentado é clássico para Estenose Pilórica Hipertrófica (EPH). Os principais sinais que levam a essa conclusão são:

  • Idade típica: Entre 2 semanas e 3 meses (paciente tem 1 mês e 15 dias).
  • Vômitos: Caráter de jato, intensos e não biliosos (cor leitosa, indicando que a obstrução está antes da entrada do duodeno/bilis).
  • Exame Físico: Presença de "massa em oliva" palpável no epigástrio (hipertrofia do músculo pilórico).
  • História: Perda de peso apesar da fome voraz ("bebê sempre teve muito refluxo" pode ser um relato materno confuso, mas os vômitos são o foco).

Análise Laboratorial

Os exames gasométricos confirmam a fisiopatologia da doença:

ParâmetroValorInterpretação
pH7,58Alcalose Respiratória ou Metabólica (Acima de 7,45)
HCO₃36 mEq/LMetabólica (Bicarbonato alto indica alcalose metabólica)
Cl⁻80 mEq/LHipocloremia (Perda de ácido clorídrico no vômito)
K⁺3,0 mEq/LHipocalemia (Perda renal de potássio devido ao estado alcalótico)

Isso caracteriza uma Alcalose Metabólica Hipoclorêmica e Hipocalêmica. Ocorre porque o bebê perde suco gástrico rico em HCl (ácido clorídrico) através dos vômitos, gerando alcalose e desequilíbrio eletrolítico severo.

Conduta Terapêutica

O tratamento da Estenose Pilórica segue rigorosamente dois passos fundamentais:

  1. Estabilização Clínica (Pré-operatório): É imperativo corrigir a desidratação e os distúrbios hidroeletrolíticos antes da anestesia. Se a cirurgia for feita sem correção do pH e eletrólitos, há alto risco de parada cardíaca pós-anestésica.
  2. Cirurgia Definitiva: O procedimento padrão é a Piloromiotoomia (técnica de Ramstedt), onde se faz um corte longitudinal na musculatura hipertrofiada do piloro para permitir a passagem do alimento.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • Fundoplicatura (Opção B): Indicado para Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) grave refratária. Não trata a obstrução mecânica do piloro.
  • Erros Inatos do Metabolismo (Opção C): Embora possam causar vômitos, a presença da massa palpável torna a estenose pilórica o diagnóstico principal, exigindo intervenção cirúrgica direta.
  • Fórmula de Aminoácidos (Opção D): Tratamento para Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Embora possa causar vômitos, não explica a massa palpável nem a alcalose metabólica tão profunda característica da obstrução pilórica.

Portanto, a conduta correta é estabilizar os eletrólitos e realizar a piloromiotoomia.

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