Medicina Múltipla Escolha

Uma paciente com 70 anos, menopausa ocorrida aos 52 anos, queixa-se de sangramento vaginal de pequena quantidade e intermitente, com 3 meses de evolução. Não tem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva e teve dois citopatológicos negativos consecutivos dos 59 até os 64 anos. O exame especular realizado na última consulta não demonstrou lesões aparentes. Está acompanhada pela filha, que afirma estar muito ansiosa, porque leu casos parecidos relatados na internet e acha que a mãe pode estar com 'câncer de útero'. A paciente é tabagista (1 maço/dia), há 40 anos, e apresenta história mórbida pregressa de hipertensão arterial sistêmica, em tratamento, e de intolerância glicêmica, via oral. Conta que pratica pilates 3 vezes por semana e que tem independência financeira e social, apresentando-se calma durante a consulta. Ao exame físico, encontra-se lúcida, orientada, contactuante e atenta. Seu IMC é de 30 kg/m². Os exames laboratoriais não apresentam particularidades. Informa que gostaria de decidir sobre sua saúde por conta própria. Considerando esse caso, o médico generalista da atenção primária deve:

Uma paciente com 70 anos, menopausa ocorrida aos 52 anos, queixa-se de sangramento vaginal de pequena quantidade e intermitente, com 3 meses de evolução. Não tem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva e teve dois citopatológicos negativos consecutivos dos 59 até os 64 anos. O exame especular realizado na última consulta não demonstrou lesões aparentes. Está acompanhada pela filha, que afirma estar muito ansiosa, porque leu casos parecidos relatados na internet e acha que a mãe pode estar com 'câncer de útero'. A paciente é tabagista (1 maço/dia), há 40 anos, e apresenta história mórbida pregressa de hipertensão arterial sistêmica, em tratamento, e de intolerância glicêmica, via oral. Conta que pratica pilates 3 vezes por semana e que tem independência financeira e social, apresentando-se calma durante a consulta. Ao exame físico, encontra-se lúcida, orientada, contactuante e atenta. Seu IMC é de 30 kg/m². Os exames laboratoriais não apresentam particularidades. Informa que gostaria de decidir sobre sua saúde por conta própria. Considerando esse caso, o médico generalista da atenção primária deve:

  1. Comunicar o quadro clínico à filha da paciente, que deverá se encarrega de explicá-lo à mãe, porque é idosa, e orientar que não serão necessários exames adicionais.
  2. Respeitar o direito à autonomia, privacidade e sigilo médico da paciente idosa, já que ela demonstra ser capaz de autogerir-se, e solicitar ultrassonografia transvaginal.
  3. Explicar que é obrigatória a presença de um responsável pela paciente, por ser idosa, para continuidade do tratamento, e solicitar CA 125 e ultrassonografia transvaginal.
  4. Explicar que a família deve ser comunicada do ocorrido com a paciente e que, devido à idade, o tratamento é expectante, orientando que não serão necessários exames adicionais.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Respeitar o direito à autonomia, privacidade e sigilo médico da paciente idosa, já que ela demonstra ser capaz de se autorregular-se, e solicitar ultrassonografia transvaginal.

Introdução ao Caso Clínico

O caso apresenta uma mulher de 70 anos com sangramento vaginal após a menopausa (ocorrida aos 52 anos). Este é um sinal de alerta clínico importante que exige investigação imediata para descartar patologias graves, como câncer de endométrio. Além disso, há um dilema ético envolvendo a presença da filha e a vontade explícita da paciente de decidir sozinha sobre sua saúde.

Análise Clínica e Ética

1. Investigação do Sangramento Pós-Menopausa

O sangramento vaginal após a interrupção da menstruação por mais de 1 ano é considerado sangramento pós-menopáusico. Ele deve ser sempre investigado, pois pode ser o primeiro sinal de carcinoma endometrial.

  • Conduta adequada: Realização de ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial e, se necessário, biópsia.
  • Por que não esperar? As opções A e D sugerem que "não serão necessários exames adicionais", o que é clinicamente incorreto e negligente dado o sintoma de alerta.

2. Autonomia e Capacidade Civil

A paciente descreve-se como lúcida, orientada e atenta. Ela afirma explicitamente que "gostaria de decidir sobre sua saúde por conta própria".

  • Capacidade de decisão: A idade avançada (70 anos) não implica automaticamente incapacidade civil ou necessidade de representante legal, desde que a pessoa mantenha suas faculdades mentais intactas.
  • Sigilo Médico: O prontuário e as informações clínicas pertencem à paciente. Sem autorização expressa dela, o médico não pode divulgar detalhes para a filha, respeitando a privacidade.
  • Ética: A opção C sugere que a presença de um responsável é obrigatória, o que viola a autonomia de adultos competentes.

Resumo das Opções Incorretas

OpçãoErro PrincipalJustificativa
AViolação de autonomia e sigiloColocar a filha como intermediária contra a vontade da paciente e negar a investigação clínica.
CNecessidade de responsávelNão existe obrigatoriedade de acompanhante para pacientes mentalmente lúcidos e autônomos.
DNegligência clínica e éticaIgnorar o risco de câncer e impor comunicação familiar sem consentimento.

Conclusão

A alternativa B é a correta porque equilibra a conduta médica necessária (investigar o sangramento com ultrassom) com os princípios éticos fundamentais (respeito à autonomia e confidencialidade do paciente adulto e lúcido).

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