Medicina Múltipla Escolha

Uma paciente de 62 anos foi submetida à colectomia direita com anastomose primária devido a adenocarcinoma colônico. Ela relata antecedente de radioterapia pélvica para tratamento de neoplasia de endométrio. No 4º dia de pós-operatório, ela apresenta 39 °C de temperatura axilar, distensão abdominal sem defesa, presença de ferida operatória sem sinais flogísticos e fístula colo-cutânea com débito de 150 mL/dia em área de cicatriz cirúrgica. Acerca do tratamento adequado para essa paciente, é correto indicar:

Uma paciente de 62 anos foi submetida à colectomia direita com anastomose primária devido a adenocarcinoma colônico. Ela relata antecedente de radioterapia pélvica para tratamento de neoplasia de endométrio. No 4º dia de pós-operatório, ela apresenta 39 °C de temperatura axilar, distensão abdominal sem defesa, presença de ferida operatória sem sinais flogísticos e fístula colo-cutânea com débito de 150 mL/dia em área de cicatriz cirúrgica. Acerca do tratamento adequado para essa paciente, é correto indicar:

  1. Fistulectomia precoce, correção do desequilíbrio acidobásico, terapia nutricional e controle da sepse.
  2. Tratamento clínico com controle de sepse, correção hidroeletrolítica volêmica, e terapia nutricional.
  3. Fistulografia, jejum, instalação de nutrição parenteral e abordagem cirúrgica do trajeto fistuloso.
  4. Jejum, instalação de nutrição parenteral e reabordagem cirúrgica com colostomia.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Tratamento clínico com controle de sepse, correção hidroeletrolítica volêmica, e terapia nutricional.

Fundamentação Teórica

O caso apresentado descreve uma fístula entero-cutânea (colo-cutânea) no pós-operatório imediato de cirurgia colorretal. O manejo dessas lesões segue princípios bem estabelecidos na literatura médica.

Princípios de Manejo de Fístulas Entéricas

O tratamento inicial prioriza a estabilidade metabólica e o controle infeccioso antes de qualquer intervenção cirúrgica definitiva. Os pilares do tratamento incluem:

  • Controle da Sepse: Fundamental dada a temperatura de 39°C. Envolve drenagem de coleções (abscessos) e uso de antibióticos se indicado.
  • Reposição Volêmica e Eletrolítica: A perda de líquido pela fístula (mesmo 150 mL/dia somada às secreções gástricas/intestinais) exige reposição cuidadosa para evitar desequilíbrios ácidobásicos e desidratação.
  • Suporte Nutricional: Essencial para promover a cicatrização e manter o estado geral. Pode ser feita via parenteral (venosa) ou enteral, dependendo da localização e débito.
  • Proteção da Pele: Cuidados locais para evitar maceração pela pele ao redor da fístula.

Análise das Alternativas

A escolha da conduta cirúrgica versus conservadora depende do estado do paciente e do tempo de evolução da fístula.

AlternativaAvaliaçãoMotivo
A❌ IncorretaFistulectomia precoce é contraindicada. Em tecido inflamado e irradiado, a dissecção cirúrgica é extremamente difícil e propensa a novas fístulas.
B✅ CorretaRepresenta a conduta conservadora inicial. Estabiliza a paciente, controla a infecção e permite que a fístula possa fechar espontaneamente ou que o paciente seja preparado para cirurgia futura.
C❌ IncorretaEmbora a fistulografia ajude a definir a anatomia, sugerir abordagem cirúrgica do trajeto imediatamente é perigoso devido à inflamação aguda.
D❌ IncorretaA reabordagem cirúrgica imediata é evitada ("abdome aberto" ou disseção em plano inflamado aumenta drasticamente a morbimortalidade).

Considerações Especiais

  • Radioterapia Prévia: A paciente teve radioterapia pélvica. Isso torna o tecido local frágil, com menor capacidade de cicatrização e maior vascularização comprometida. Isso reforça a necessidade de evitar cirurgias precoces.
  • Débito Baixo/Moderado: Com 150 mL/dia, há chance razoável de fechamento espontâneo com manejo clínico adequado.
  • Tempo de Espera: Se a fístula não fechar após 3 a 6 meses de manejo clínico, aí sim se considera a cirurgia eletiva de reconstrução.

Portanto, a conduta mais segura e indicada neste momento é o tratamento clínico, aguardando a resolução do quadro inflamatório agudo.

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