Medicina Múltipla Escolha

Uma paciente secundigesta com 28 anos, idade gestacional de 35 semanas, obesa, realizou uma unidade básica de saúde, não houve intercorrências até o momento. Os resultados dos exames de rotina pré-natal apresentam-se normais, assim como as medidas de pressão arterial anteriores, e a altura uterina é compatível com a idade gestacional. Ela comparece a uma consulta no serviço de pronto atendimento encaminhada pela unidade básica de saúde por aumento da pressão arterial. Nega queixas. Refere estar se alimentando bem e relata que engordou 3 quilos nas últimas duas semanas. A pressão arterial é de 140 x 95 mmHg, confirmada após quinze minutos de repouso. A paciente apresenta edema importante em membros inferiores. A movimentação fetal está presente, os batimentos cardíacos fetais são de 144 bpm, e altura uterina é compatível com idade gestacional. Considerando-se o quadro clínico descrito, quais são, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta adequada?

Uma paciente secundigesta com 28 anos, idade gestacional de 35 semanas, obesa, realizou uma unidade básica de saúde, não houve intercorrências até o momento. Os resultados dos exames de rotina pré-natal apresentam-se normais, assim como as medidas de pressão arterial anteriores, e a altura uterina é compatível com a idade gestacional. Ela comparece a uma consulta no serviço de pronto atendimento encaminhada pela unidade básica de saúde por aumento da pressão arterial. Nega queixas. Refere estar se alimentando bem e relata que engordou 3 quilos nas últimas duas semanas. A pressão arterial é de 140 x 95 mmHg, confirmada após quinze minutos de repouso. A paciente apresenta edema importante em membros inferiores. A movimentação fetal está presente, os batimentos cardíacos fetais são de 144 bpm, e altura uterina é compatível com idade gestacional. Considerando-se o quadro clínico descrito, quais são, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta adequada?

  1. Pré-eclâmpsia; internar a paciente para controle pressórico e interromper a gestação
  2. Pré-eclâmpsia; solicitar exames e verificar se há presença de proteinúria significativa e/ou se é acusada a disfunção de órgão-alvo, para confirmar diagnóstico.
  3. Hipertensão arterial crônica; aguardar a evolução no puerpério e, se ocorrer a normalização dos níveis pressóricos em até 12 semanas pós-parto, o diagnóstico será confirmado.
  4. Emergência hipertensiva; internar a paciente para prescrição de sulfato de magnésio e anti-hipertensivos de ação rápida e interromper a gestação assim que o quadro clínico for estabilizado.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Pré-eclâmpsia; solicitar exames e verificar se há presença de proteinúria significativa e/ou se é acusada a disfunção de órgão-alvo, para confirmar diagnóstico.

Análise da Questão

Esta questão avalia o conhecimento sobre o diagnóstico e manejo da hipertensão na gestação, especificamente a diferenciação entre Hipertensão Crônica, Hipertensão Gestacional e Pré-eclâmpsia.

1. Conceitos Fundamentais

Para responder à questão, é necessário entender as definições clássicas baseadas nas diretrizes (como as do Ministério da Saúde e FIGO):

  • Hipertensão Arterial Crônica: Diagnóstico feito antes da 20ª semana de gestação ou persistência após 12 semanas do parto.
  • Na questão: A paciente teve exames normais no pré-natal, logo, não se enquadra aqui.
  • Hipertensão Gestacional: Pressão arterial \geq 140/90 mmHg após a 20ª semana, sem proteinúria e sem sinais de disfunção orgânica.
  • Pré-eclâmpsia: Hipertensão após a 20ª semana associada a:
  • Proteinúria (quantitativa); OU
  • Sinais de disfunção de órgão-alvo (plaquetas baixas, enzimas hepáticas elevadas, insuficiência renal, edema pulmonar, cefaleia persistente, distúrbios visuais).

2. Aplicação ao Caso Clínico

Vamos analisar os pontos chaves do enunciado:

  • Idade Gestacional: 35 semanas (acima de 20 semanas).
  • Histórico: Exames prévios normais (descarta hipertensão crônica).
  • Achado Atual: PA 140/95 mmHg (Hipertensão).
  • Sintomas: Edema em membros inferiores (presente em 80% das gestantes normais, sozinho não diagnostica nada, mas é um sinal associado). Nega cefaleia/vómitos (sugere ausência de sintomas graves no momento).
  • Feto: Bem-estar preservado (movimento e batimentos normais).

3. Raciocínio Lógico para a Resposta

A paciente apresenta hipertensão nova após a 20ª semana. Isso caracteriza um quadro de Hipertensão Gestacional até que se prove o contrário. No entanto, o objetivo imediato da conduta médica é descartar ou confirmar a progressão para Pré-eclâmpsia.

  • Por que não é Hipertensão Crônica? Porque não havia antes da 20ª semana.
  • Por que não é Emergência Hipertensiva? A pressão é moderada (140/95). Emergências geralmente exigem > 160/110 mmHg.
  • Qual a conduta correta? A definição de Pré-eclâmpsia exige a comprovação de proteinúria ou disfunção orgânica. Como a paciente chegou ao pronto-socorro apenas com a PA alterada, é obrigatório solicitar exames complementares (urinário e sanguíneo) para verificar esses critérios.

Portanto, a conduta descritiva na Alternativa B é a única correta: trata-se de uma suspeita de pré-eclâmpsia (ou hipertensão gestacional evoluindo) que precisa de exames para confirmação do diagnóstico definitivo. As outras alternativas assumem diagnósticos incorretos (crônica, emergência) ou propõem condutas prematuras (interrupção imediata da gestação).

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